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Sexta-Feira, 31 DE Outubro DE 2014

As provas do crime estavam expostas na varanda... como se nada de errado acontecera

“O Pelotão de Polícia Ambiental de Sergipe apreendeu 36 pássaros silvestres em duas ocorrências atendidas no fim de semana, mas o resultado das apurações só foi divulgado nesta terça-feira (28).

As vítimas de um crime arraigado na cultura brasileiraA primeira apreensão aconteceu em uma casa localizada na Rua Anchieta, no Loteamento Marivan, em Aracaju. A equipe foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) para verificar um possível cativeiro de pássaros silvestres e no local encontrou 17 aves e um homem de 60 anos que se identificou como dono dos animais.

(...) Outras 19 aves foram apreendidas em uma casa da região do Jardim Loredo, no bairro Rosa Elze, em São Cristóvão (SE). Após denúncia anônima, os policiais encontraram várias gaiolas expostas na varanda da casa. O proprietário de 54 anos também não tinha licença do Ibama. Os 19 pássaros foram apreendidos, a maioria das espécies azulão, papa-capim e cabeça.”
– texto da matéria “Pelotão Ambiental detém dois homens que criavam aves silvestres”, publicada em 28 de outubro de 2014 pelo portal G1

A segunda apreensão, ocorrida em São Cristóvão, mostra o quanto o hábito de criar animais silvestres como bichos de estimação, principalmente pássaros, está arraigado na cultura brasileira. Não é incomum encontrar, em cidades grandes e em pequenas, pessoas pendurando suas gaiolas nas varandas, sacadas, quintais ou perto de janelas para a ave passar o dia. A cena é quase bucólica, uma representação do brasileiro médio, do cidadão de bem.

Mas ali estão vítimas invisíveis da violência de uma cultura antropocêntrica, em que os direitos dos outros seres (as aves) não foram respeitados. Os pássaros engaiolados faziam parte de um ecossistema e tinha suas funções por cumprir (predarem, serem predados, espalharem sementes e outras tantas). Por um longo período, suas espécies se desenvolveram e evoluíram para voar e realizar inúmeras atividades, todas registradas em suas cargas genéticas.

Esses cidadãos acima de qualquer suspeita, muitas vezes por falta de informação, outras tantas por se considerarem amantes da natureza, participam de um grande esquema cruel, marcado pela morte e criminoso. Por conta dessas pessoas que compram animais silvestres ilegais, estima-se que 38 milhões de bichos são retirados da natureza brasileira todos os anos para abastecer esse mercado negro (dado de 2001 da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres).

O tráfico de fauna só existe porque tem quem compra... os cidadãos de bem.

- Leia a matéria completa do portal G1

 

Postado por Dimas Marques às 01:25

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