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Quinta-Feira, 27 DE Novembro DE 2014

Feira da Vila Mara, em São Paulo: sozinha polícia não resolve tráfico de animais

Na rua São Gonçalo do Rio das Pedras, Vila Mara, zona leste da capital paulista, todos os domingos acontece uma feria livre. Autorizada pela prefeitura, barracas com frutas e verduras atendem há décadas a população local. Mas ali não são comercializados apenas alimentos, pois há trechos que funcionam como uma típica “feira do rolo”, onde são vendidos e trocados muitos objetos usados, furtados, roubados e capturados ilegalmente na natureza, como animais silvestres.

A feira da Vila Mara é um dos mais conhecidos pontos de tráfico de fauna silvestres da Região Metropolitana de São Paulo. E a polícia atua há anos, apreendendo animais e prendendo os bandidos. Apesar da fiscalização constante, principalmente do 1º Batalhão de Polícia Militar Ambiental, o mercado negro de animais silvestres continua estabelecido.

Animais e caixas de transporte apreendidos na Vila Mara“Na manhã deste domingo (23), equipes da Polícia Militar Ambiental realizaram grande operação de combate ao tráfico de animais silvestres na zona leste da Capital/SP.

A operação foi deflagrada mais uma vez na “feira do rolo” da Vila Mara.

Uma pessoa foi conduzida à delegacia e liberada, mais de R$ 200 mil foi aplicado em multas e 52 animais silvestres foram apreendidos e vão receber cuidados juntos ao Centro de Recepção de Animais Silvestres do Parque Ecológico do Tietê.”
– texto de post publicado em 23 de novembro de 2014 na página do 1º Batalhão de Polícia Militar Ambiental no Facebook

A polícia está cumprindo parte do seu papel. A Militar Ambiental investe em seguidas operações, apreendendo os animais e tentando prender os envolvidos. Mas será que a ação policial como é feita hoje é a mais adequada?

É preciso que os órgãos de fiscalização e repressão realizem investigações (papel esse da Polícia Civil) para desarticular a rede de bandidos que fornece os animais para o comércio ilegal. Atuar somente na ponta do processo (no varejo da feira) é mais simples, no entanto é ineficiente para que haja uma sensível redução no cometimento desse crime.

Deve-se destacar que o poder público insiste também em atacar o problema apenas com repressão. Enquanto houver gente interessada em comprar esses bichos na feira, haverá traficante de fauna burlando a fiscalização. O mercado negro de silvestres na Vila Mara e em outras tantas feiras espalhadas por todo o país será realmente combatido quando, sobretudo, houver redução de consumidores.

Para que haja essa redução, é necessário que ocorra um intenso e permanente trabalho de educação ambiental, sensibilizando a população sobre os problemas ligados ao tráfico de fauna (zoonoses, extinção de espécies, desequilíbrio de ecossistemas e crueldade com os bichos, por exemplo) para conscientizá-la da necessidade de não fomentar esse mercado.

Esse trabalho, de educação ambiental, não se faz.

- Leia o post do 1º Batalhão de Polícia Militar Ambiental no Facebook

Postado por Dimas Marques às 00:00

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