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Quinta-Feira, 13 DE Novembro DE 2014

Papagaios ameaçados de extinção são apreendidos em MG

Não são apenas os papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) que acabam vítimas dos traficantes de animais. Outras espécies de papagaios também sofrem com a ação dos bandidos e também acabam sendo criados ilegalmente como bichos de estimação.

“Polícia Militar de Meio Ambiente de Mutum apreendeu sete filhotes de Papagaios ameaçados de extinção. A ocorrência foi registrada no final de semana, depois de uma denúncia.

Papagaios ainda são filhotesDurante uma Operação em Combate a Caça e Captura de Animais e Pássaros da Fauna Silvestre Brasileira, na zona rural de Mutum, os policiais iniciaram fiscalização e localizaram sete filhotes do conhecido “Papagaio-do-Peito-Roxo”. A espécie consta da listagem do IBAMA como ameaçado de extinção.

Durante a fiscalização também foram localizados vários apetrechos de pesca, acessórios, munições e outros materiais e pássaros ilegais.

O autor não foi localizado. Os materiais e os pássaros foram apreendidos, e entregues a delegacia da Policia Civil de Mutum para as demais providências.”
– texto da matéria “Filhotes de papagaios localizados pela PM Ambiental”, publicada em 10 de novembro de 2014 pelo Portal Caparaó (MG)

Os papagaios-verdadeiros são os mais traficados atualmente no Brasil. Entre setembro e novembro, período de nascimentos no Cerrado do Mato Grosso do Sul e região, uma enorme quantidade de filhotes é coletada para serem vendidas em grandes centros urbanos, com destaque para a Região Metropolitana de São Paulo.

Os papagaios-de-peito-roxo (Amazona vinacea) também enfrentam o mesmo problema há décadas. A espécie só pode ser encontrada em áreas de Mata Atlântica. No Brasil, sua área de ocorrência vai do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, mas também vive no sudeste do Paraguai e na província de Misiones, na Argentina. Geralmente associado à floresta de araucárias.

De acordo com a Birdlife International, organização que congrega instituições em mais de 100 países para conservação das aves, entre 1.500 e 2 mil papagaios-de-peito-roxo ainda vivem livres em território nacional. “É a menor população estimada entre as quatro espécies ameaçadas de papagaios da Mata Atlântica”, afirma a bióloga Vanessa Tavares Kanaan, que coordena o projeto de reintrodução do Amazona vinacea no Parque Nacional das Araucárias (SC) desenvolvido pelo Instituto Espaço Silvestre. As outras três espécies de papagaios da Mata Atlântica são o papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha), o papagaio-charão (Amazona petrei), e o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis).

Papagaios vítimas do tráfico que foram recuperados e soltos no Parque Nacional das Araucárias (SC) pelo Instituto Espaço Silvestre

O papagaio-de-peito-roxo era encontrado na unidade de conservação até a década de 1980, mas desapareceu por causa do desmatamento da floresta de araucária, a alteração do hábitat e a captura para o tráfico. O Instituto Espaço Silvestre já realizou duas solturas. A primeira em janeiro de 2011, beneficiando 13 papagaios, e a segunda em setembro de 2012, com 30 aves. Todos os animais tinham sido vítimas do tráfico de animais silvestres, apreendidos em Santa Catarina e cedidos pelo Ibama do estado.
Na listagem brasileira de animais ameaçados de extinção (2008), o Amazona vinacea foi classificado como “vulnerável”. Nas listas estaduais, o papagaio está categorizado como “vulnerável” no Rio de Janeiro, “criticamente em perigo” em São Paulo e Espírito Santo e “em perigo” no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em Minas Gerais. No Paraná, a espécie está como “quase ameaçada”, porém, na revisão que está sendo realizada, ela será classificada como “vulnerável”.

Fora do Brasil, a Birdlife International indica haver entre 220 a 400 aves no Paraguai e aproximadamente 250 na Argentina. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) classifica a espécie com o status de “em perigo”.

- Leia a matéria completa do Portal Caparaó
- Saiba mais sobre a reintrodução dos papagaios-de-peito-roxo no Parque Nacional das Araucárias (SC)
- Conheça o Instituto Espaço Silvestre

Postado por Dimas Marques às 00:00

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