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Quinta-Feira, 04 DE Dezembro DE 2014

Uma jovem lobo-guará morta e um desabafo sobre a SP-318

“MAIS UM LOBO GUARÁ MORRE NA RODOVIA SP 318, O QUINTO NESTE ANO.

Este foi o quinto lobo-guará atropelado na SP-318A natureza na região de São Carlos está mais pobre e de luto, na tarde de terça-feira dia 02 mais um lobo-guará, desta vez uma fêmea perdeu a vida em um atropelamento, que certamente também ariscou a vida do motorista.

A guarnição do Corpo de Bombeiros de São Carlos, foi acionada na tarde do dia 02 de dezembro para resgatar uma fêmea jovem de lobo-guará que foi atropelada na SP318, rodovia que liga São Carlos a Ribeirão Preto, próximo ao km 255.

O animal foi rapidamente encaminhado aos cuidados do Parque Ecológico de São Carlos, que possui estrutura para auxiliar animais feridos e já recuperou alguns lobos acidentados, mas apesar de toda a dedicação dos técnicos do Parque com a ajuda dos bombeiros o animal morreu devido a inúmeras fraturas e hemorragia interna.

A perda do exemplar, ainda mais uma jovem fêmea, causou um profundo sentimento de tristeza, ainda mais sabendo que morte de animais como este podem ser evitadas com a implantação de sistemas de passagem segura para animais nas rodovias. Esta campanha o Parque de São Carlos já vem fazendo há muito tempo, inclusive com um grande Outdoor na entrada do local uma ilustração e o tema "De passagem para a vida".

Neste momento a rodovia está em processo de duplicação e não se sabe sobre dispositivos que defendam os animais e protejam os motoristas de acidentes deste tipo.

Será que continuaremos recebendo animais nestas condições? Desabafa o Administrador do Parque Ecológico, o biólogo Fernando Magnani, a Rodovia SP 318 poderia ser um exemplo neste sentido, mas não temos conhecimento de programas neste sentido por parte dos administradores da estrada, como pude conhecer em outros locais no Estado de São Paulo, conclui.

A morte de outros lobos na mesma rodovia e em locais próximos, já foi alvo de matérias de imprensa recentes, o que cria em torno desta estrada uma triste história de perda de biodiversidade.”
– post publicado em 3 de dezembro de 2014 no perfil do Parque Ecológico de São Carlos no Facebook

O contato diário com a morte de animais motivou o post do Parque Ecológico de São CarlosO tom de desabafo do post é consequência do testemunho de um massacre. O relato aborda não simplesmente a morte de uma fêmea jovem de lobo-guará, mas o impacto de uma rodovia, a SP-318, sobre uma espécie. E com certeza, sobre outras espécies.

No seu cotidiano, os profissionais do Parque Ecológico de São Carlos recebem as vítimas desse conflito entre motoristas e animais silvestres. Para quem se propõem a trabalhar pela vida silvestre, o contato diário com mortes que podem ser evitadas é desgastante.

Estimativa do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) indicam que 475 milhões de animais silvestres morrem por atropelamento todos os anos nas estradas e rodovias brasileiras.

As principais vítimas são os anfíbios, os répteis, as aves e os pequenos mamíferos, apesar de os casos envolvendo os mamíferos de médio e grande porte (como onças, lobos-guarás e tamanduás-bandeira) chamar a atenção por serem mais fáceis de visualizar e por ser alvo de matérias da imprensa. Cachorros-do-mato, gambás, capivaras, tatus, lagartos e algumas espécies de corujas quase sempre estão nos levantamentos entre os mais atropelados.

Estradas e rodovias inevitavelmente dividem os hábitats dos animais silvestres. Mesmo em áreas onde a vegetação nativa já não existe ou não predomina, como em localidades com atividades agropecuárias, inúmeras espécies adaptadas ao ambiente modificado ou atraídas por uma eventual oferta de alimentos acabam se deparando com as vias de circulação de veículos. Para algumas, a novidade funciona como barreira e ocorre o afastamento. Para outras tantas, essa barreira é apenas mais um obstáculo para se chegar ao outro lado. Um obstáculo que pode ser fatal.

- Leia o post do Parque Ecológico de São Carlos no Facebook
- Saiba mais sobre atropelamentos de animais silvestres

Postado por Dimas Marques às 00:00

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