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Quinta-Feira, 08 DE Janeiro DE 2015

Puma morre atropelado em rodovia da Califórnia. Problema também ocorre no Brasil

Atropelamentos de animais silvestres em estradas e rodovias é um fenômeno que ocorre em todo o mundo. E a quantidade de vítimas é assustadora. Somente no Brasil, estima-se que 475 milhões de bichos percam suas vidas nessas circunstâncias – dado do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE).

Desse total, 1% dos animais atropelados no Brasil são grandes vertebrados como onças-pardas, lobos-guarás, onças-pintadas, antas e capivaras.  Ultimamente, tem ganhado destaque o grande número de onças-pardas atropeladas nas rodovias do interior paulista. O problema, com já foi destacado, não é exclusividade do Brasil.

Puma atropelado nos Estados Unidos“Um exemplar de leão-da-montanha foi atropelado e morto em uma estrada da Califórnia na última semana, de acordo com autoridades de São Francisco.

O felino, que vive isolado em montanhas de algumas regiões dos Estados Unidos, colidiu com um carro em alta velocidade quando atravessava a pista da rodovia, próxima ao subúrbio de San Bruno. O motorista que atropelou o animal fugiu logo depois da colisão.

Também chamada de puma, a espécie de grande porte é nativa do Hemisfério Ocidental, cuja ocorrência abrangia uma extensa área, do Canadá à Argentina e ao Chile. Na América do Norte, a destruição do habitat levou os pumas a se concentrarem na costa oeste americana.”
- texto da matéria “Exemplar de puma morre após ser atingido por carro nos EUA”, publicada em 6 de janeiro de 2015 pelo portal G1

Pumas ou leões-da-montanha são conhecidos no Brasil como onças-pardas ou suçuaranas.

As expansões urbana e das fronteiras agrícola e pecuária promovem a degradação de áreas naturais conservadas, a abertura de estradas e rodovias e a construção de casas, de edifícios e de toda uma infraestrutura para permitir a ocupação humana. Com a fragmentação do habitat, torna-se inevitável o enfrentamento dos animas silvestres com essa realidade. Para as onças-pardas, os machos jovens estão entre os mais suscetíveis a esses encontros, que muitas vezes acabam em morte.

“Os filhotes ficam com a mãe, em média, até os 22 meses, quando ocorre a dispersão deles na busca por novos territórios já que as onças-pardas vivem solitárias. As fêmeas ficam mais próximas à sua mãe, mas os machos procuram se estabelecer em áreas mais distantes, por isso o risco maior. É uma forma de evitar o endocruzamento, isto é, o acasalamento entre indivíduos aparentados, o que causa empobrecimento genético”, explica a bióloga Renata Alonso Miotto, especialista na espécie e que atualmente realiza pós-doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP). Ela pesquisa os movimentos de dispersão e o uso do habitat das onças-pardas no nordeste e centro do Estado de São Paulo.

A morte dos machos jovens, segundo Renata, compromete a espécie. A perda desses animais, além de causar alguma redução populacional, afeta o fluxo gênico. No futuro, esse empobrecimento da diversidade genética poderá deixar as onças-pardas mais suscetíveis a doenças e dificultar a adaptação delas frente às mudanças de ambiente, comprometendo a sobrevivência da espécie no longo prazo.

Onça-parda atropelada dentro do Parque Estadual Morro do Diabo (SP)O risco de atropelamento para a onça-parda não afeta somente os jovens no período de dispersão, mas também os felinos com territórios já estabelecidos. De acordo com o veterinário e chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cenap/ICMBio), Ronaldo Morato, o aumento da quantidade de estradas e rodovias e a característica das onças-pardas em terem uma área de vida muito grande fazem com que cresçam as chances desses felinos se arriscarem em travessias para acessar, por exemplo, fragmentos de vegetação nativa. O território de um Puma concolor pode chegar a 160 km ², dependendo do grau de preservação do habitat (sendo maior em áreas fragmentadas) e da disponibilidade de presas.

Além da conservação dos habitat desses animais, é necessário que os gestores de rodovias invistam em passagens de fauna, cercas e medidas que reduzam os impactos dessas vias sobre as onças-pardas.

O coordenador do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Andreas Kindel desconhece qualquer estudo aplicado em rodovias com foco específico em onças-pardas no Brasil. “Pelo fato de a espécie ser muito tolerante, utilizando e deslocando-se inclusive por áreas degradadas, predizer os locais de maior risco de colisões é um desafio e tanto. Por isso, planejar estruturas de mitigação especificamente para onças-pardas é difícil de sustentar dentro de um processo de licenciamento.”

Ações de conscientização junto aos motoristas também são indicadas. “Não podemos construir rodovias isentas de atropelamentos de animais silvestres, mas podemos educar sistematicamente os condutores de veículos no sentido da condução veicular com extrema cautela em trechos das rodovias com alto risco de atropelamentos”, afirma o veterinário Pedro Lúcio Lithg Pereira, professor e coordenador do ECOAS da UFMG.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Saiba mais sobre atropelamentos de animais silvestres

Postado por Dimas Marques às 00:00

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