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Quinta-Feira, 30 DE Junho DE 2016

Fauna e Estradas - Medidas de mitigação funcionam?

Gato-do-mato-pequeno durante travessia em passagem de fauna sob a rodovia sob a estrada CS-012 (RS)

Por Fernanda Zimmermann Teixeira
Bióloga, mestre e doutora em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pós-doutoranda no Laboratório de Ecologia da Paisagem da Carleton University (Canadá) e integrante do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF-UFRGS)
estradas@faunanews.com.br

Quando uma estrada é construída, pavimentada ou duplicada, o processo de licenciamento ambiental normalmente prevê a implementação de medidas para evitar, reduzir ou mitigar os impactos causados pela estrada. Medidas também podem ser instaladas em processos de regularização ambiental, mesmo depois que a estrada já está construída. Túneis, pontes de corda, cercas e placas informativas são exemplos de estruturas mitigadoras focadas na fauna. Em alguns casos, milhões de reais são investidos em medidas mitigadoras. Mas como saber se elas funcionam?

A instalação de qualquer medida mitigadora deveria ser seguida de um programa de monitoramento de sua efetividade. É somente através do monitoramento que podemos saber se o investimento valeu a pena. E somente a partir dessa avaliação é que podemos aprender com os erros cometidos e melhorar a mitigação. No caso de passagens de fauna, diversos programas de monitoramento têm registrado o seu uso por diferentes espécies de animais, desde sapos e cobras até grandes mamíferos, como onças e ursos. Porém, o quanto uma passagem precisa ser usada pela fauna para ser considerarada efetiva? 

Em um artigo publicado em 2013 na revista Biodiversity and Conservation, um grupo de pesquisadores da Holanda, Canadá, Austrália e Alemanha chamam a atenção para a importância de planejar com cuidado o monitoramento de medidas mitigadoras para responder essa pergunta. 

Rato-de-espinho em travessia por estrutura que liga copas de árvores (pone de dossel) no entorno do Parque Nacional da Serra Geral (RS)Eles apresentam nove passos que devem ser seguidos para construir um programa de monitoramento da efetividade de uma medida mitigadora. O primeiro, e fundamental, passo é ter clareza sobre os objetivos da medida implantada. Por exemplo, o número de travessias em uma passagem de fauna não é uma informação suficiente para avaliar a sua efetividade se o objetivo da medida for a redução da mortalidade da fauna. Da mesma forma, a efetividade de uma medida implementada com o objetivo de impedir o isolamento genético entre os dois lados da estrada só pode ser avaliada a partir de análises genéticas. A forma de monitorar sempre depende do objetivo da medida!

Somente após ter a clareza sobre os objetivos e espécies-alvo da mitigação é que se pode identificar as espécies a serem avaliadas, escolher as variáveis a serem medidas, o desenho amostral a ser implementado e os métodos de amostragem do monitoramento. Embora existam muitos programas de monitoramento de medidas mitigadoras ao redor do mundo, uma proporção muito pequena desses estudos de fato avalia a efetividade das medidas implementadas. Isso significa que estamos perdendo ótimas oportunidades de aprender com as medidas já implementadas e melhorar a mitigação dos impactos de rodovias.

Postado por Dimas Marques às 00:00

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