Fauna News

Buscar

banner_20-08-2014.gif

Quinta-Feira, 28 DE Julho DE 2016

Fauna e Estradas - Quando conservar onças pode salvar vidas humanas nas rodovias

Veado (Odocoileus virginianus) atropelado em estrada no Canadá

Por Larissa Oliveira Gonçalves
Bióloga e mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É  doutoranda em Ecologia na mesma universidade, trabalhando junto ao Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF-UFRGS).
                                                                                                      estradas@faunanews.com.br

Muitos atropelamentos são imperceptíveis, mas quando um veículo atropela um animal de um porte um pouco maior, como capivaras, onças e veados, os danos podem ser imensuráveis. Pensando apenas nas perdas monetárias, elas podem estar relacionadas, por exemplo, a custos de reparo dos veículos e auxílios à saúde. 

Estimativas apontam que veados causam 1,2 milhão de colisões com veículos anualmente nos EUA, acarretando em 1,66 bilhão de dólares em danos, 29 mil pessoas feridas e 200 pessoas mortas. Isso faz com que os veados sejam um dos mamíferos mais perigosos para os humanos na América do Norte.

Por que há tantos acidentes com veados? A perda dos grandes predadores possibilitou que as populações de veados aumentassem muito, se tornando um dos animais mais abundantes. 

Será que a recolonização de grandes carnívoros poderia ajudar a reduzir as mortes humanas por colisões nas estradas? 

Essa foi a pergunta que motivou um trabalho muito legal publicado na revista Conservation Letters recentemente ) em que os autores avaliaram qual seria o impacto da recolonização de onças-pardas no leste norte-americano para a redução das colisões com veículos. No leste dos EUA, tanto onças-pardas (Puma concolor) quanto lobos (Canis lupus) poderiam recolonizar essa região naturalmente, sendo que essas espécies são predadores naturais dos veados que tanto se envolvem em  acidentes. 

Veado (Odocoileus hemionus) em estrada nos Estados UnidosA principal conclusão do trabalho é que se as onças-pardas retornassem ao seu ambiente historicamente já habitado, elas poderiam prevenir 22% dos acidentes, evitando 155 mortes humanas, 21.400 pessoas com lesões e economizar 2,3 bilhões de dólares num período de 30 anos. Isso porque, num período de 6 anos, uma única onça-parda poderia comer 259 veados, reduzindo a densidade desses animais, prevenindo oito colisões e evitando custos estimados de 37.600 dólares.

Além das estimativas acima, os pesquisadores utilizaram informações do Estado de Dakota do Sul, onde havia dados disponíveis sobre as densidades de onças e veados, e estimaram as colisões antes e depois da recolonização das onças-pardas nos anos 90. Eles observaram que as onças-pardas reduziram as colisões com veículos em 9% dentro de 8 anos após a recolonização. Com isso, 158 colisões puderam ser prevenidas e gastos de aproximadamente 1,1 milhão de dólares anuais evitados.

Não temos exemplos claros desse tipo para o Brasil, mas a partir desse trabalho fica a pergunta: será que conservar onças no Brasil poderia reduzir o número de acidentes com a fauna nas estradas? 

 

Postado por Dimas Marques às 20:00

Deixe seu comentário

comentários por Disqus

Artigos relacionados