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Quinta-Feira, 06 DE Outubro DE 2016

Estradas como barreiras para a fauna aquática

Bueiros em estrada de terra no Parque Nacional Aparados da Serra (RS)

Por Larissa Oliveira Gonçalves
Bióloga e mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É doutoranda em Ecologia na mesma universidade, trabalhando junto ao Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF-UFRGS)
estradas@faunanews.com.br

Muito já foi falado do impacto das estradas e as soluções para minimizá-los na fauna terrestre. Mas você já deve ter se dado conta que as estradas, por estarem por todos os lados, cruzam inúmeros ambientes e inevitavelmente cruzam cursos d’água de todos os tamanhos. Os maiores, como os rios, normalmente são fáceis de saber onde estão, já que a forma mais fácil de transpor um rio é construindo uma ponte. Talvez a construção de pontes não interfira muito no movimento dos animais aquáticos. Mas você já pensou a quantidade de pequenos cursos d’água que as estradas interceptam? Nós normalmente não os enxergamos porque a prática mais comum é a instalação de bueiros que permitem que a água continue seguindo a sua direção. 

Segundo pesquisas que estão sendo realizadas por pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Paisagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, existem mais de 78 mil pontos de cruzamentos entre estradas e cursos d’água de diversas grandezas. 

Bom, mas se a água continua seguindo a sua direção, os animais aquáticos também seguem, não? Talvez não. Muitos desses bueiros instalados acabam sendo barreiras para o movimento de alguns animais, como os peixes migratórios, por exemplo. Os animais precisam “subir” o curso d’água para seguir o seu ciclo reprodutivo e quando encontram um bueiro, não conseguem seguir, pois há ali uma mini cascata intransponível para eles.

Além da barreira criada pela instalação do bueiro, que poderia ser um problema apenas para os animais que precisam subir o riacho, existem outros fatores que mudam. A vazão da água pode aumentar muito, pois toda a água agora corre em um mesmo lugar (e é aí que a mini cascata se cria), aumentando assim os sedimentos naquela porção do riacho. Se o curso d’água tem mais sedimento, tem maior velocidade da água e ainda é uma barreira para o movimento dos animais, o riacho já não é mais o mesmo.

Talvez o impacto no ambiente aquático seja maior do que imaginamos. Ele só é ainda pouco explorado, pois, afinal, peixe não se encontra atropelado e não é nem um pouco carismático.

O vídeo abaixo (em inglês) ilustra o problema na região dos Grandes Lagos (EUA/Canadá):

Postado por Dimas Marques às 10:00

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