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Quinta-Feira, 15 DE Dezembro DE 2016

Fauna e Estradas - Estas imagens o incomodam?

Guaxinim atropelado na rodovia de Boulder, em Colorado (EUA)

Por Gabriela Schuck de Oliveira
Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bolsista do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF-UFRGS)
estradas@faunanews.com.br

Será que precisamos atingir as pessoas emocionalmente para chamar atenção para um assunto ignorado? Alguns meses atrás, uma campanha anônima movimentou as redes sociais nos Estados Unidos: animais mortos por atropelamento em rodovias tiveram balões com frases apelativas amarradas a seus corpos ou cadáveres vítimas desse tipo de acidentes eram colocados em diferentes cenários, provocando um humor mórbido. As fotos se espalharam pela internet e a campanha obteve diversas reações.

Carcaças de animais atropelados colocadas para jogar um pôquerIndependentemente da opinião de cada um, todos comentaram e refletiram sobre a situação que ganhara visibilidade (o ditado mais uma vez se aplica: fale bem ou fale mal, mas fale de mim). Não foram os primeiros e nem os únicos animais atropelados naquela rodovia, mas provavelmente pode ter sido a primeira vez que foram notados pelos usuários. Podemos reparar essa falta de percepção nos próprios noticiários: recentemente o jornal Correio do Estado (MS), noticiou um atropelamento de onça-pintada, no qual cita ter sido a primeira vez que alguém atropelou um felino dessa natureza.

Agora me pergunto, será que foi a primeira vez que foi noticiado? Ou então a primeira vez que chegou na internet e, por isso, chamou a atenção da imprensa? Afinal, antes mesmo de a notícia ser lançada, várias fotos da onça atropelada já estavam circulando nas redes sociais, gerando comoção nas pessoas.

Um memorial pós-morte de cervídeo em uma rodovia dos EUA, oferecendo a carne do animal para consumoMuitas vezes, as carcaças de animais nas estradas são percebidas como parte da paisagem ou então são consideradas como sujeira na pista. A visualização rotineira acaba gerando uma aceitação da situação. Apelar para o emocional pode ser controverso, mas tem efeito imediato. Um exemplo é a redução de acidentes de trânsito na Espanha após o uso de campanhas radicais, utilizando mensagens severas para o usuário.

 Sair fora do tradicional pode trazer resultados positivos para aquilo que se quer alertar. Novidades chamam atenção e o tradicional cai na rotina do cotidiano. É assim como as carcaças que sempre estão nas rodovias, mas, no momento em que elas estão em uma situação diferente da rotineira, os usuários começaram a percebê-las. Quanto mais atenção temos para a mortalidade nas estradas, mais os usuários terão cuidado ao transitar com o seu veículo, sempre respeitando as normas e a sinalização de trânsito. Quem sabe não adotamos a campanha feita nos Estados Unidos e experimentamos a reação dos brasileiros?

Postado por Dimas Marques às 17:00

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