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Quinta-Feira, 16 DE Março DE 2017

Fauna e Estradas - Silvestre não é pet, mas merece respeito

Sátira do filme Jogos Mortais representando discussões polêmicas no mundo da biologia referente aos animais domésticos em relação aos silvestres.  Mais uma vez, nós humanos tomando decisões para as vidas de animais de diferentes espécies

Por Gabriela Schuck de Oliveira
Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bolsista do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF-UFRGS)
estradas@faunanews.com.br

É evidente que nós, humanos, dominamos outras espécies: comemos, manipulamos, domesticamos, matamos, exterminamos. Os animais domésticos têm a vantagem por ganharem a nossa simpatia e assim garantem sua sobrevivência entre nós (mas nem sempre, já que o Brasil tem 30 milhões de animais abandonados

Já os animais silvestres, muitas vezes, não conhecemos, não vemos com frequência, não sabemos o seu comportamento e, de modo geral, isso gera o medo do desconhecido, resultando em atitudes aversivas, como: matar, capturar ou ignorar.  Essa diferença entre domésticos e silvestres está presente até quando o assunto é fauna atropelada.

Algumas notícias mostram o esforço para salvar animais domésticos em situação de risco na estrada, como o cachorro escoltado por 20 minutos para não ser atropelado na BR-116 ou então pessoas arriscando a vida para salvar um cão em rodovia. Em contrapartida, temos animais silvestres sendo atropelados até intencionalmente (já discutido aqui) e uma grande parcela sendo ignorada nas rodovias.

É claro que há casos contrários em ambas situações e muitas pessoas estão na luta para salvar a fauna silvestre, mas no âmbito popular, os pets sempre serão mais valorizados ou então mais notados.

Outro exemplo (que me inspirou a escrever este artigo) é um episódio ocorrido no ano passado quando dois cachorros comunitários foram atropelados dentro do campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, um deles vindo a óbito. Houve uma grande repercussão nas redes sociais, gerando várias campanhas para descobrir o(a) autor(a) do atropelamento. Porém, nessa mesma universidade é realizado há 3 anos o monitoramento de fauna atropelada e a estimativa é que morrem em torno de 320 animais silvestres por ano. 

Pensamos muito no indivíduo observado e esquecemos (ou não sabemos) que o atropelamento de animais (tanto de domésticos quanto de silvestres) é muito mais frequente do que imaginamos, atingindo números elevados. Evitar a morte de um único animal é ético e atinge o nosso emocional. Mas também devemos pensar naqueles que não enxergamos, que contribuem para o meio ambiente ecologicamente saudável e são fundamentais para garantir o equilíbrio da natureza e, consequentemente, a nossa qualidade de vida.

Adesivos alertando para o cuidado com animais nas rodovias, porém todos são ilustrados apenas com animais domésticos

Postado por Dimas Marques às 07:00

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