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Quarta-Feira, 10 DE Maio DE 2017

Olha o Bicho! - Tietê-de-coroa

Por Luciana Ribeiro
lucianaribeiro@faunanews.com.br

Nome popular: tietê-de-coroa
Nome científico: Calyptura cristata
Estado de conservação: “criticamente em perigo” na lista vermelha da IUCN e na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção
 

Animais da espécie não são registrados desde os anos de 1990. Este é um tietê-de-coroa empalhadoÉ bem provável que não exista mais nenhum tietê-de-coroa vivo. Talvez só seja possível vê-lo empalhado em museus de história natural. Mas, como a espécie passou cerca de cem anos desaparecida e depois foi avistada novamente, nos anos 1990, resta um fio de esperança de que ainda existam alguns exemplares - não mais que 50 -  vivendo em algum remanescente da Mata Atlântica do Rio de Janeiro.

Endêmico da região serrana de floresta atlântica do norte do Estado do Rio de Janeiro, o tietê-de-coroa é uma ave rara e pouco conhecida. Ele era visto com frequência até o século XIX, quando desapareceu. Chegou a ser considerado extinto, mas foi visto e observado pelo ornitólogo Ricardo Parrini em 1996, na região da Serra dos Órgãos.

Há quem diga ter visto um em Ubatuba (SP), outro em Nova Friburgo (RJ) e um casal em Guapimirim (RJ), mas esses relatos não são comprovados.

Uma expedição tentará localizar tietês-de-coroaO tietê-de-coroa é um passarinho pequeno, de menos de 10 cm, com o dorso verde-oliva, peito amarelo, asas escuras com listras, uma crista vermelha e cauda curta. Seus hábitos são pouco conhecidos e seu canto nunca foi registrado. Sabe-se que vive aos casais e que evita a copa das árvores, preferindo ficar nos galhos próximos a bromélias. Acredita-se que sua alimentação se componha de pequenas frutas, sementes e insetos.

O desaparecimento do tietê-de-coroa se deve, principalmente, à fragmentação de seu habitat. O trecho de floresta atlântica onde ele costumava viver foi uma das áreas mais alteradas pelo cultivo do café.

Mas enquanto ele não for declarado oficialmente extinto, todo esforço para encontrá-lo vale a pena. Por isso, o Observatório de Aves do Instituto Butantan de São Paulo reuniu 40 ornitólogos, pesquisadores e observadores voluntários na Expedição Calyptura. Durante 10 dias no segundo semestre de 2016, a expedição percorreu matas no norte do Estado do Rio de Janeiro em busca do tietê-de-coroa. Avistou mais de 260 espécies. Não foi dessa vez que o enigmático passarinho foi visto novamente. Mas a expedição tem uma nova edição neste ano e pode ser que o tietê-de-coroa seja encontrado, como aconteceu 20 anos atrás. 

Postado por Dimas Marques às 08:00

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