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Sexta-Feira, 23 DE Junho DE 2017

Photo Animal - Dicas para registrar a vida selvagem

Por Marcelo Calazans
Técnico em agropecuária, administrador de empresas e fotógrafo.Foi professor da disciplina Fotografia de Natureza pelo Senac-MS
photoanimal@faunanews.com.br

E aí? Tudo bem?

Chegando mais um artigo para você. E desta vez vamos conversar sobre... Fotografia da vida selvagem. Assunto muito bacana. Então, sem enrolação, vamos lá.

Fotografar a vida selvagem pode ser uma caçada desafiadora e, ao mesmo tempo, frustrante, mas incrivelmente recompensadora para o fotógrafo. A chegada das câmeras digitais tem inspirado toda uma nova geração de fotógrafos a se interessar pela fotografia da vida selvagem. E isso é muito bom, como veremos no desenrolar do texto.

Uma jiboia fotografada em preto e branco: mais realce à imagem

A maioria dos cursos de fotografia, workshops e livros concentram-se nos aspectos técnicos embarcados nas câmeras. Mas um fotógrafo realmente bom confia mais numa boa composição, iluminação e sensibilidade para encontrar o assunto ideal. Isso significa que você pode melhorar a sua fotografia ao pensar criativamente e não somente tecnicamente.

Morcego fotografado de um ângulo inusitado, com lente fish-eye, compondo com o arame farpado do cenário

E para ajudar a melhorar a criatividade nesse tipo de fotografia, preparei cinco dicas muito bacanas para melhorar seus resultados:

Cobra-cipó fotografada da altura dos olhos dela. Deitei ao lado do animal, a uma distância segura, e fiz a imagemDica 1: fotografar olhando no olho do assunto. Em fotos de animais selvagens, as coisas ficam mais interessantes se você conseguir criar uma ligação íntima entre o assunto e o telespectador. A melhor maneira de fazer isso é fotografar no nível do olho do assunto. Dessa forma, as suas fotografias da vida selvagem podem criar a ilusão de partilhar um momento dentro do mundo do assunto, ao invés de ter uma visão de fora para dentro.

Se, por exemplo, o assunto é rasteiro, como um lagarto, rã ou mesmo um animal pequeno, tente ficar o mais baixo possível para que você possa fazer a sua foto no nível do olho do assunto.

Olhar do Macaco-prego capturado na altura dos meus olhos. Animal permitiu aproximação (mantive distancia segura para ambos) e gostei do resultado, destacando o reflexo nos olhos que deu vida à foto

Dica 2:  está tudo nos olhos. A ligação pessoal mencionada na dica 1 é realmente sobre o contato olho no olho, por isso é importante fotografar os olhos corretamente. Se os olhos dos animais selvagens estiverem nítidos e claros em suas fotos, provavelmente irá conseguir esse efeito de afinidade. Se os olhos estão fora de foco, ocultos na sombra ou se o assunto pisca os olhos ou fica muito distante, a conexão é perdida e a foto certamente vai falhar. Você nem precisa que o seu assunto esteja totalmente em foco. Seu animal pode estar até mesmo escondido pelas folhas ou fora de foco. A foto ainda pode funcionar, desde que você possa capturar os olhos do animal enquanto estão abertos, obtendo uma imagem nítida.

Dica 3:  se o fundo não ajuda, então livre-se dele. Muitas fotos de animais selvagens são prejudicadas porque o fundo é desordenado, feio ou, simplesmente, inadequado. Por exemplo, gaivotas em uma praia podem ser muito bonitas, mas gaivotas em uma lixeira é algo bem diferente. Além disso, fotos da vida selvagem vão parecer menos naturais se você conseguir dizer que foram tiradas em um jardim zoológico. Então aplique esse princípio: “qualquer coisa que não faça a minha foto melhor a torna pior”.

Isso não significa que você não possa tirar uma boa foto da vida selvagem em um zoológico. Você só precisa saber gerenciar as coisas. Se o seu fundo está estragando a sua foto, então faça um zoom direto no seu assunto para eliminar o máximo de fundo quanto possível. Ao ampliar a imagem com o zoom, você também vai reduzir a profundidade de campo ao mínimo e qualquer fundo que apareça em sua foto vai estar fora de foco e menos distrativo.

Para mim, esta foto ficou perfeita. Com todos os planos definidos (1º, 2º e 3º) e fundo colaborando para a composição. Enfim, conjunto completo! Jacaré-do-pantanal ? Miranda (MS)

Dica 4:  se o fundo está bom para você, use-o bem. Uma fotografia da vida selvagem que captura o assunto em um belo cenário natural pode ser ainda mais eficaz do que um simples close-up. Por exemplo: uma foto de um canguru na praia apresenta o assunto em um contexto totalmente inesperado, fazendo uma imagem mais interessante do que uma foto em close-up, no estilo retrato.

Lagarto teiú em seu habitat, que eu quis destacarSe você tratar o assunto “animais selvagens” como parte de uma paisagem, você precisa considerar todas as técnicas de composição que se aplicam a fotografia de paisagens. Lembre-se da regra dos terços (que pode ou não ajudar) e tenha cuidado com a posição de seu animal para que o assunto trabalhe em conjunto com o fundo, fazendo uma composição mais eficaz. Em especial, tente posicionar o tema da vida selvagem para que ele olhe para o centro da imagem, e não para a borda da moldura.

Dica 5: capture seu assunto da melhor forma possível. Mesmo a melhor fotografia da vida selvagem, a mais perfeita, pode falhar por causa da iluminação. A perda do seu assunto nas sombras, o brilho refletido pelas penas da ave e as sombras no rosto do assunto são erros simples que podem arruinar uma foto. Não existe uma regra única para a iluminação em fotos da vida selvagem, mas aqui estão algumas sugestões. Costumo encontrar os melhores resultados quando o céu está levemente encoberto por nuvens finas. Isso produz uma luz que é brilhante, mas suave até mesmo quando comparada com a luz solar natural. Seu assunto estará bem iluminado, mas você vai evitar o forte contraste e as sombras pesadas que podem roubar detalhes importantes.

Se o tempo está ensolarado, tente tirar suas fotos no início ou no final do dia, quando o sol está baixo. Nessas ocasiões, a luz é suave e vivamente colorida. É também mais fácil de capturar o rosto todo do seu assunto à luz do sol, ao invés de meio sombreado em outros momentos.

Tamanduá-bandeira registrado nas primeiras horas de sol de um dia nublado. Luz perfeita, sem sombras duras nem detalhes ocultados por falta de iluminação. Notem a textura da pelagem do animal!

E para fechar o artigo, um conselho: TREINEM!!! Pratiquem essas dicas, as ideias e seu olhar. Quanto mais prática e quanto mais erros, mais acertos acontecerão. E assim você se tornará um fotógrafo melhor.

No nosso próximo encontro, trarei um texto sobre um fotógrafo-referência na área, premiado e reconhecido internacionalmente e eleito um dos melhores do mundo nesse tipo de fotografia.

 Até lá e um forte abraço! E lembre-se: antes de começar a fotografar e ao terminar, agradeça ao TODO Universal que nos proporciona esses momentos...

Postado por Dimas Marques às 00:00

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