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Sexta-Feira, 07 DE Julho DE 2017

Photo Animal - Conheça Araquém Alcântara, uma referência

Por Marcelo Calazans
Técnico em agropecuária, administrador de empresas e fotógrafo.Foi professor da disciplina Fotografia de Natureza pelo Senac-MS
photoanimal@faunanews.com.br

Olá, tudo bem? Espero que sim!

No último artigo, deixei dicas bacanas sobre como conseguir captar uma boa fotografia de vida selvagem com mais “facilidade”. E como prometi, trago o perfil de um dos mestres na arte de eternizar momentos que os animais proporcionam. Mas escolher apenas UM em um universo de CENTENAS é difícil! Trabalho árduo. E o resultado é o que você vai ler a seguir:

Apresento hoje uma pequena biografia de Araquém Alcântara, considerado um dos pioneiros desse tipo de fotografia no país. 

Araquém em um dos vários momentos eternizando a vida selvagemAraquém Alcântara, 66 anos (16/01/1951), é apontado pelos críticos como um dos precursores da fotografia de natureza no Brasil e um dos mais importantes fotógrafos em atuação no país. Desde 1970, dedica-se integralmente à documentação da natureza e do povo brasileiro. Seu trabalho, de notoriedade internacional, tornou-se hoje uma referencia nacional e fonte de inspiração para os novos fotógrafos. Em sua vasta produção, constam 47 livros sobre temas ambientais, 22 livros em co-autoria, cinco prêmios internacionais, 32 prêmios nacionais, 75 exposições individuais e inúmeros ensaios e reportagens para revistas e jornais, nacionais e estrangeiros.
 
É o primeiro fotógrafo a documentar TODOS os parques nacionais do Brasil e a produzir uma edição especial para a National Geographic Society, denominada “Bichos do Brasil”. Entre seus prêmios mais importantes destacam-se o Prêmio Dorothy Stang de Humanidade, Tecnologia e Natureza – categoria Humanidade (2007), Prêmio Fernando Pini de melhor livro de arte do ano com a obra Mar de Dentro (2007), Prêmio Jabuti para o livro Amazônia na categoria Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes (2006), Prêmio “Von Martius” da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, categoria Natreza (2002), Prêmio Abril de Jornalismo nos anos de 1998, 2001 e 2010, Prêmio Aquisição da Coleção MASP-Pirelli (1996), Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA pela exposição  “Saudade Moderna” na reinauguração da Pinacoteca do Estado (1986) e o Prêmio Unicef “Presença das Crianças nas Américas”, Colômbia 1981.

Jaguatirica flagrada na Serra do Amolar, Pantanal do Mato Grosso do Sul

Em 1997 lançou, após 10 anos de pesquisas, TerraBrasil, o livro de fotografias mais vendido no país. Atualmente na 12ª edição, a obra já ultrapassou a casa dos 100 mil volumes comercializados.

Harpia registrada em Alta Floresta (MT)Araquém possui fotos em acervos de vários museus e galerias, entre eles o Museu do Café, em Kobe, Japão; Centro Cultural Georges Pompidou em Paris; Museu Britânico em Londres; Museu de Arte de São Paulo (MASP) e Museu de Arte Moderna (MAM) também em São Paulo. Em 2001, foi escolhido pelo The British Museum, de Londres, para produzir a capa do livro Unknown Amazon, que acompanhou uma grande exposição etnográfica sobre a Amazônia. Neste mesmo ano, foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para realizar a exposição “Mudanças Climáticas” no Memorial da América Latina em São Paulo e também, como convidado do Ministério do Meio Ambiente, realizou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro a exposição “Parques Nacionais do Brasil”. Em 2009 foi agraciado com a mais importante comenda do Exército, a Medalha do Mérito Militar, pelos serviços prestados à cultura do Brasil. Priorizando a fotografia como expressão plástica e instrumento de transformação social, Araquém é, hoje, um dos mais combativos artistas em defesa do patrimônio natural do país. 

Dentre tantas fotos de animais e natureza, o fotógrafo Araquém Alcântara acredita ter capturado uma de suas melhores imagens: uma onça correndo sobre um espelho d'água. A foto faz parte de um conjunto que foi concebido para o filme "Amazônia Planeta Verde", que foi rodado em visitas ao Alto Rio Negro e Alta Floresta. O docudrama, estilo cinematográfico, que mistura documentário com uma história de ficção, foi feito por uma equipe francesa e dirigido por Thierry Ragober.

Foto escolhida por Araquém como uma de suas melhores imagens. Trabalho feito durante as filmagens de Amazônia Planeta Verde, em Mateiros (TO)

Não à toa o fotógrafo foi escolhido para trabalhar no filme amazônico. Araquém possui em sua carreira milhares de fotos emblemáticas de onças, pássaros, índios, entre outras. Segundo ele, foi uma foto de onça, de 1979, em uma viagem para a Amazônia, que o fez dedicar toda sua carreira pela natureza. O filme de Ragober narra a saga de um macaco de cativeiro perdido na floresta.

Segundo Araquém, nem tudo é fácil na fotografia de natureza. Por estar em lugares isolados e inóspitos, ele contou já ter passado por dois momentos em que sentiu a morte de perto: em um acidente de avião no Monte Roraima em 1997 e durante um sequestro pelos índios kaiapós em 1999. Os índios exigiram dinheiro e mantimentos da equipe de Araquém, mas depois de uma negociação todos foram liberados.

Fotoprotesto
Pai do fotógrafo em foto emblemática no litoral de São PauloAo comentar uma de suas fotos emblemáticas, Araquém diz que acredita ter criado "um ícone da fotografia". O personagem principal da imagem é seu pai, segurando o quadro de uma foto de ossos humanos, em cima de pedras numa encosta no litoral de São Paulo. Araquém procurava uma maneira de alertar e impedir a construção de usinas nucleares numa região entre Peruíbe e Iguape, litoral sul de São Paulo, lugar onde nasceu e cresceu.

Durante uma pauta jornalística, no gabinete de um vereador, ele se deparou com uma fotografia que ilustrava um livro sobre os ataques nucleares à cidade japonesa de Hiroshima, mostrando ossos humanos empilhados. Após pedir autorização, reproduzir e ampliar a imagem, ele a colocou numa moldura comprada em um asilo em São Vicente. A primeira parte do ato estava pronta. A segunda era convencer seu pai a ser retratado segurando o quadro. A cena se completou após uma peregrinação ao local da foto. “O tempo fechou e as nuvens negras deram uma dramaticidade à foto”, conta. O quadro foi jogado ao mar pelo pai de Araquém, mas a cena não foi registrada. O trabalho havia sido feito e a usina nunca foi construída ali.

Araquém assume que perde muitas fotos por estar em matas escuras, por ter que acompanhar animais de hábitos noturnos e outras espécies que aparecem muito rapidamente em sua frente. E que, por esses mesmos motivos, quer revisitar várias paisagens onde esteve mais de uma vez, fazer novos livros e exposições. Um dos lugares onde Araquém ainda não esteve e pretende fotografar é a Islândia.

Ribeirinha e preguiça, rio Solimões, em Barão de Tefé (AM)

A fotografia vai além de um trabalho comercial e editorial para o fotógrafo. Natural de Florianópolis e criado no litoral de São Paulo, Araquém acredita que pode trabalhar pela identidade do país e que suas imagens são um instrumento para conscientizar as pessoas da existência de milhares de espécies e lugares desconhecidos do público comum, que passam por uma transformação profunda e podem comprometer a existência da humanidade.

Você quer saber mais a respeito do trabalho de Araquém Alcântara? Acompanhe as novidades em sua página no Facebook:

Fonte para textos e fotos:

- Site oficial do fotórgrafo
- "Famoso por clicar natureza, Araquém Alcântara explica suas melhores fotos", publicada em 18 de agosto de 2012 pelo portal G1

Nos vemos daqui duas semanas! Abraço.

Postado por Dimas Marques às 00:00

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