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Sexta-Feira, 22 DE Setembro DE 2017

Photo Animal - As lentes na fotografia da vida selvagem - Parte II: quebrando paradigmas

Jararaca-ilhôa fotografada com uma lente 24 mm na Ilha Queimada Grande (SP)

Por Marcelo Calazans
Técnico em agropecuária, administrador de empresas e fotógrafo. Foi professor da disciplina Fotografia de Natureza pelo Senac-MS
photoanimal@faunanews.com.br

Dando continuidade ao artigo anterior (As lentes na fotografia da vida selvagem - Parte I), a partir de agora farei jus ao título: quebrando paradigmas sobre as lentes na fotografia de vida selvagem.

Nós fomos acostumados a acreditar que esse tipo de fotografia só é possível com aquelas lentes enormes, pesadas e caras. Quase todas as imagens que vemos de vida selvagem nos levam a crer nisso, né? Mas a fotografia da vida selvagem é feita com outros tipos de lentes, muitas das quais você sequer imaginava que fossem possíveis de serem utilizadas.

João Marcos Rosa tem fotos publicadas na National GeographicPara isso, vou reproduzir, com alguns complementos, as impressões de grandes nomes da fotografia de natureza e suas experiências com lentes “fora do padrão” para esse tipo de fotografia. Começando com as palavras de João Marcos Rosa, fotógrafo da National Geographic:

“Me arrisco a dizer que essa proximidade é hoje uma necessidade de sentir de forma quase tátil as imagens. Fotos produzidas com teleobjetivas, trazem retratos com a espécie comprimida em planos distintos e com o fundo desfocado, o que traz detalhes do animal, mas o isola de seu ambiente. Claro que para algumas espécies essa é a única forma de registrá-las e mostrar seus comportamentos, por isso essas imagens seguem compondo boa parte das histórias, mas fotos que retratam os animais como se o leitor estivesse ali presente fazem cada vez mais parte desses ensaios.”

Ouriço-cacheiro fotografado com uma lente 24 mm. Imagem feita na Estação Ambiental de Volta Grande (MG) para projeto da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

 João Marcos ainda diz:

“O olho no olho junto da visão do conjunto criam mesmo uma visão mais intimista. Não custa alertar, contudo, sobre o conceito etológico de “distância de fuga”: cada espécie tem em seu repertório comportamental um limite de tolerância para aproximação. Ultrapassado, o animal tende a fugir, mas se não consegue, ele vai se defender. E isso pode ser fatal. O conhecimento sobre a espécie a ser fotografada para poder julgar que tipo de reação ela está tendo à nossa aproximação. Nossos avós já diziam, mas vale sempre lembrar também que respeito e bom senso continuam sendo os principais atributos que um fotógrafo e qualquer outro profissional deve levar consigo, principalmente se ele estiver em uma situação de proximidade com um animal.” 

 Filhote de harpia na Floresta Nacional de Carajás (PA) fotografado com uma lente 17 mm e com uso de controle remoto e monitor

João acrescenta que “a terceira via é a da presença in loco. Estar ali cara a cara com o animal, estabelecer uma relação de confiança e respeito e claro, se aproximar de acordo com o que ele permitir. Esse tipo de imagem com certeza vai exigir do fotógrafo um imenso conhecimento sobre a espécie retratada, em certos casos muita paciência e na maioria das vezes um bocado de coragem. Dois exemplos recentes e com resultados incríveis são as reportagens produzidas por Luciano Candisani sobre os jacarés-do-pantanal e as imagens feitas pelo homem do gelo Paul Nicklen sobre os pinguins-imperadores.”

Araras-azuis-de-lear, na Estação Biológica de Canudos (BA), fotografadas com uma lente 17 mm e com disparo feito com controle remoto

Para encerrar, João diz que “o resultado dessas técnicas são imagens que fazem com que o leitor se sinta dentro do ambiente daquele animal, ao seu lado. Uma sensação de intimidade que pode trazer ainda mais emoção para o desfrute de uma grande reportagem. Como diria Rita Lee: chega mais.”
 
Continuo com o tema daqui a duas semanas. Nos vemos lá! Abraço.

Ariranha fotografada de dentro de voadeira com uma lente 24 mm

Postado por Dimas Marques às 00:00

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