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Terça-Feira, 19 DE Dezembro DE 2017

Os Silvestres e a Nossa Saúde: Campilobacteriose, um risco na alimentação

Essas pequenas bactérias causam doenças se ingeridas pelo homem

Por Elisângela de Albuquerque Sobreira
Médica Veterinária e mestre em Ecologia e Evolução pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Doutoranda em Animais Selvagens pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu). Já foi Gerente do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Anáplois (GO), onde fundou e mantém o Centro Voluntário de Reabilitação de Animais Selvagens (CEVAS)
nossasaude@faunanews.com.br 

Campylobacter é uma bactéria que pode infectar o intestino de pessoas e animais domésticos e silvestres. É uma das causas mais comuns de infecção intestinal no Brasil. A maioria das pessoas infectadas com Campylobacter não desenvolve problemas sérios de saúde. Entretanto, em casos raros, a infecção pode se alastrar para outras partes do corpo, como, por exemplo, para o sangue.

As espécies de bactérias do gênero Campylobacter são amplamente isoladas de animais homeotermos e a maioria das infecções que causam possui caráter zoonótico; no entanto, há apenas duas décadas a campilobacteriose foi reconhecida como zoonose. Desde então, uma série de estudos vem sendo conduzido e, embora a maioria dos casos seja relacionada a sintomas limitados à diarréia, uma seqüela severa representada por polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda, a síndrome de Guillian-Barré, pode ocorrer.

Campylobacter jejuni (uma das espécies do gênero Campylobacter) é amplamente distribuído no trato gastrointestinal de mamíferos e de aves domésticas e silvestres. Há ainda uma outra espécie, a Campylobacter lari, em que casos de enterites em humanos estão relacionados. Essa espécie de bactéria é usualmente isolada em gaivotas e sua transmissão por aves silvestres passa a ser considerada mais provável desde que o doente não tenha tido contato com carne de frango.

Os sintomas mais comuns são diarréia (às vezes sangrenta), dor abdominal, cansaço, febre, náusea e vômito. Estes sintomas podem ter início de um a dez dias, mas normalmente aparecem de dois a cinco dias após a ingestão dos microorganismos. Em pessoas com boa saúde, os sintomas geralmente duram de um a quatro dias, às vezes mais. 

Formas de contaminação
O microorganismo Campylobacter deve ser ingerido para causar a doença. Isso costuma ocorrer quando uma pessoa come alimento contaminado que não tenha sido bem cozido ou pasteurizado. Também pode ocorrer quando se bebe água contaminada. A bactéria é encontrada nas fezes de pessoas infectadas. A campilobacteriose pode ser transmitida de uma pessoa para outra se alguém infectado preparar alimentos para outras pessoas sem antes lavar bem as mãos após ir ao banheiro.

A infecção às vezes se espalha em creches e outras instituições porque crianças pequenas e adultos deficientes nem sempre conseguem lavar bem as mãos. As pessoas também podem infectar-se através de animais de estimação, especialmente filhotes de cães e gatos.

Essas bactérias são encontradas também nas fezes de animais de fazenda ou de estimação (incluindo gado, aves, cães e gatos), quer eles estejam sadios ou doentes. As bactérias também são encontradas em várias espécies de animais silvestres. Portanto, é preciso lavar bem as mãos com água e sabão após tocar em animais ou suas fezes.

Tais microogranismos costumam estar em produtos alimentícios crus de origem animal, tais como aves (frango, peru, etc.) e leite não pasteurizado. Algumas pessoas são contaminadas ao comer mariscos crus. Contudo, a pasteurização ou o cozimento completo matam as bactérias e tornam esses alimentos seguros para o consumo.

As duas coisas mais importantes a lembrar são que o microorganismo só consegue adoecer a pessoa se for ingerido e que cozinhar bem os alimentos o mata. É preciso muito cuidado ao usar produtos alimentícios de origem animal.

Como a campilobacteriose é uma doença que pode ser transmitida facilmente para outras pessoas, os profissionais da saúde são obrigados por lei a relatar casos da enfermidade para a secretaria municipal de saúde.

Postado por Dimas Marques às 23:00

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