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Sexta-Feira, 15 DE Dezembro DE 2017

Photo Animal - Entenda de uma vez por todas ISO, abertura e velocidade

Por Marcelo Calazans
Técnico em agropecuária, administrador de empresas e fotógrafo. Foi professor da disciplina Fotografia de Natureza pelo Senac-MS
photoanimal@faunanews.com.br

Olá, tudo bem?

Como eu prometi ao fim do artigo anterior (Dez fotógrafos de vida selvagem para seguirmos no Instagram), trago hoje um material sobre as três principais configurações da câmera (o triângulo-mestre das configurações da câmera), para fotografias dos mais variados tipos. Eu espero que depois desse post, você não tenha mais desculpas para dizer que não faz ideia do que são esses três conceitos: 

1 – ISO ou sensibilidade do sensor;
2 – abertura do diafragma (quantidade de luz);
3 – velocidade do obturador (tempo da luz).

Esses três fatores, em conjunto e equilíbrio, vão compor sua foto da forma como você a vê. No começo, vou apresentar um a um, e mais tarde vou mostrar como combiná-los para que as fotos saiam com o resultado esperado.

Pará começar, vou explicar o que é ISO, ou sensibilidade do sensor. Bora lá!

O triângulo-mestre da fotografia: ISO - velocidade - abertura

1 - ISO ou sensibilidade do sensor
Relacionado diretamente ao ruído na foto (sobre ruídos, aberrações cromáticas e outros, aguarde os próximos capítulos). 

O ISO mede a sensibilidade do sensor da câmera na hora de captar a luz para registrar a foto. Na época das câmeras analógicas, o filme era o responsável pelo ISSO (ou ASA, como também era chamado). Mas com a chegada das câmeras digitais, a um simples toque de um botão (ou dois ou três, dependendo da câmera), podemos definir os valores necessários para que a imagem registrada saia com perfeição. O ISO é definido por valores como 100, 200, 800, 6400, etc. Os valores mais baixos são menos sensíveis e os mais elevados são os mais sensíveis à luz. Ou seja, quanto maior for o valor do ISO, mais luz o sensor vai receber.

Sensibilidade do ISO x granulação da foto

Para resumir tudo, pense assim: imagine que você precise registrar uma imagem em um ambiente com pouca luz. Aí vamos optar pelo ISO mais alto, pois assim o sensor irá “absorver” mais luz do local. Mas temos um problema. ISO muito alto é sinônimo de ruído na foto, ou seja, ela irá ficar mais “granulada”, como na imagem acima. É um pequeno “efeito colateral” de se usar valores muito altos de ISO e se torna mais visível em tons mais escuros na fotografia. Usando valores mais baixos de ISO, teremos imagens com mais qualidade e com menos ruído. Daí a questão de sabermos equilibrar esses valores de acordo com a luz ambiente. Simplificando, podemos dizer que um ISO mais baixo sempre deixa suas fotos melhores, mas nem sempre você terá níveis adequados de luz ambiente, daí “apelar-se” para um ISO mais alto para suprir essa falta de luz.

Mas não precisa se preocupar e ficar pensando que JAMAIS usará valores altos de ISO em suas fotos. Perceba que os valores baixos de ISO (tabela acima) são perfeitamente aceitáveis e praticamente imperceptíveis em termos de ruído. E isso ajuda muito nas imagens do dia a dia. Então lembre que eu disse no primeiro parágrafo do artigo que são três as principais configurações da câmera. Então, essas três, atuando em conjunto, o ajudam a compensar a falta de luz e aí todos se salvam.

Existe uma relação matemática fixa (sim, tem muita matemática na fotografia!) entre as sensibilidades e vou mostrar isso abaixo:

ISO 100
Valor de baixa sensibilidade, necessitando de muita luz ambiente. Permite grandes ampliações de imagens com excelente qualidade e é um valor indicado para fotografia de objetos estáticos, produtos, paisagens e imagens que necessitem de grande definição de detalhes, como fotos técnicas.

ISO de 200 a 800
Necessitam de uma boa quantidade de luz. Esses valores permitem imagens de boa qualidade e são usados para fotografar quase tudo: natureza, animais, aves em vôo, paisagens, fotos em estúdios e retratos.

ISO de 1600 a 12800
São valores de alta sensibilidade e que necessitam de pouca luz ambiente. Úteis para situações de baixa luminosidade, fotos noturnas, shows ou quando se usam altas velocidades de obturador. Mas existe um porém: a resolução das imagens é menor e o ruído (ou granulação) fica muito nítido. 

O fato de termos diferentes valores de configuração do ISO nos permite criar muito mais numa fotografia do que imaginamos. Experimentar valores intermediários, além dos sugeridos acima, é uma excelente tática de aprendizado.

2 – Abertura do diafragma (quantidade de luz)
O diafragma pode ser descrito como uma “cortina” que fica na lente, permitindo a passagem e controlando a quantidade de luz que entra na máquina e chega ao sensor. Essa quantidade de luz é medida através dos chamados números “f” (fração), ou abertura da lente. Valores baixos representam uma abertura menor do diafragma (mais luz entrando no sensor) e valores mais altos indicam aberturas menores, com menos luz entrando.

Esquema de escala de abertura do diafragma

Para entender melhor, pense assim: o diafragma na sua lente é como se fosse a nossa pupila, dilatando e contraindo, de acordo com a luminosidade do ambiente. Esse é o princípio do funcionamento do diafragma. Você já deve ter percebido que ao olhar diretamente para a luz sua pupila se fecha, deixando entrar pouca luz para o nervo ótico. E quando está muito escuro, a pupila se dilata, procurando absorver toda e qualquer luz do ambiente. E assim também funciona o diafragma!

Mas assim como o ISO tem um efeito colateral (ruídos em valores muito altos), a abertura do diafragma também tem. Quando utilizamos uma abertura muito grande, como por exemplo a f/2.8, permitimos uma entrada muito grande luz no sensor e, com isso, a profundidade de campo diminui. Ou seja, sua área de foco fica reduzida. Aí você pensa: ixi, ferrou tudo! Mas é esse o processo utilizado para fazer aquelas fotos lindas onde o fundo aparece bem desfocado. Viu como é uma coisa bacana?

Já nas fotos feitas com aberturas menores, a profundidade de campo fica maior, o que é perfeito para imagens onde o primeiro e o segundo planos são partes importantes da composição. Veja o esqueminha abaixo, que vai deixar mais fácil para entender:

Relação entre abertura do diafragma e profundidade de campo

3 – Velocidade do obturador (tempo da luz)
O obturador é uma espécie de “janela”, responsável por controlar o tempo de exposição do sensor da câmera à luz. Através do controle da velocidade desta “janela” é que a luz “entra” no sensor. Sendo assim, quanto mais tempo essa “janela” ficar aberta, mais luz incidirá sobre o sensor. Diferente do diafragma, o obturador fica no corpo da câmera e não na lente. Para entender melhor, pense assim: a velocidade do obturador nada mais é do que o tempo em que essa “janela” fica aberta, como se fosse a pálpebra do olho. Esse tempo de velocidade é medido em segundos inteiros ou frações de segundo e obedece a uma sequência determinada, comum e igual em todas as câmeras digitais. Esses valores indicam o tempo que o obturador ficou aberto. Veja a tabela abaixo para entender:

Relação entre tempo e velocidade do obturador

Explicando o esquema acima: 

1/5000 significa que o obturador vai ficar aberto por 1/5000 avos de segundo e 30’ quer dizer que o obturador vai ficar aberto por 30 segundos. A velocidade do obturador deve ser regulada de acordo com a disponibilidade de luz ambiente e com o tipo de assunto que você vai registrar, iluminando mais ou menos o sensor da câmera. Mas aí surgem as questões: qual velocidade devo usar? Como saber a velocidade ideal para cada assunto a ser registrado? 

 Então preste bem atenção nas dicas a seguir:

Velocidade alta ou rápida (1/250 a 1/5000)
Usa-se essas velocidades para fotografar duas situações: cenas ou objetos muito iluminados ou pessoas em movimento. No caso das pessoas em movimento, a imagem é “congelada” na pequena fração de segundo em que o obturador estiver aberto.

Velocidade baixa ou lenta (30 a1/30)
Usamos essas velocidades quando precisamos fazer uma exposição mais longa, em função de pouca luz ambiente. Com velocidades baixas, o obturador fica aberto por mais tempo e, dessa forma, o assunto registrado não fica congelado, o que permite captar os movimentos realizados pelo objeto fotografado, transmitindo a sensação dinâmica do instante do registro. Um exemplo são as imagens de cachoeiras, que ficam parecendo um véu de noiva, tamanha a velocidade com que a água cai nas pedras. 

Registro em longa exposição de queda d´água

Em um outro artigo, vou mostrar como tudo isso funciona em conjunto e quais resultados teremos nas fotografias. No próximo material, falarei sobre RAW e as diferenças para JPEG, JPG, etc.

Grande abraço, treine bastante, pois é fotografando que se aprende, e até lá!

Postado por Dimas Marques às 00:00

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