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Sexta-Feira, 19 DE Janeiro DE 2018

Photo Animal: RAW X JPEG - O que são e qual usar? Parte I

E agora? Qual formato escolher?

Por Marcelo Calazans
Técnico em agropecuária, administrador de empresas e fotógrafo. Foi professor da disciplina Fotografia de Natureza pelo Senac-MS
photoanimal@faunanews.com.br

2018 se inicia com a mesma missão de 2017: tentar solucionar os principais enigmas do mundo da fotografia de natureza. O assunto do material de hoje é RAW X JPEG. Como o tema é muito extenso, vou dividi-lo em vários artigos, em sequência.

Nesta série de artigos, pretendo explicar as diferenças entre JPEG e RAW, que atualmente são os formatos de imagens mais utilizados por fotógrafos. Quero tentar passar o máximo de informações da forma mais simples possível para que você possa escolher qual o melhor formato para seu tipo de fotografia.

Alguns formatos existentes:

JPG/JPEG
RAW:  na Canon como CRW ou CR2 e na Nikon como NEF

Vamos começar pelas definições de cada um.

JPEG/JPG – Joint Photographic Experts Group 
O que é: o formato JPG ou JPEG recebeu esse nome pelo Joint Photographic Experts Group; nome original do comitê que desenvolveu o padrão. A rigor, JPEG não é um formato e sim uma família de algoritmos de compactação. O formato é o JFIF, para JPEG File Interchange Format e isso é o que significa “m arquivo JPEG”. 

JPEG é um método de compressão com perda de dados. Os algoritmos são baseados na matemática Discrete Cosine Transformation para descartar as partes menos significativas da imagem em termos de como ela é percebida pelo olho humano. Como o JPEG é uma compactação com perdas, haverá perda de dados a cada vez que o mesmo arquivo for editado e salvo. Os efeitos mais notáveis serão pequenos artefatos que devem aparecer na imagem.

RAW – Significa Cru
O que é: RAW, palavra em inglês que significa “cru” (Pronuncia-se “Ró”), é o nome dado a imagem bruta, sem qualquer tipo de compactação, processamento ou perda de qualidade, que fornece uma possibilidade maior de edição final. Hoje já temos algumas câmeras que tem o RAW com um certo tipo de compressão sem perdas. A maneira simples de saber se a sua câmera utiliza esse formato com compressão é verificar se as imagens ficam com tamanhos (mega bytes) diferentes: quando o RAW não tem compactação alguma, todas as fotos ficam com o mesmo número de bytes, ao contrario das câmeras com compactação que geram fotos com tamanhos diferenciados. 

Ele também é conhecido como o negativo digital. Cada fabricante tem um tipo de RAW, como pudemos ver na listagem mostrada no início deste artigo e, com isso, podemos dizer que na verdade ele não é um formato e sim um termo usado pelas empresas para dizer que é um arquivo fiel a imagem capturada.  Esse tipo de arquivo costuma ser aproximadamente duas a cinco vezes maiores que uma imagem em JPEG. 

 Mesma fotografia feita em RAW e JPEG. Diferenças quase imperceptíveis a olho nu, mas no momento de imprimi-las a diferença é notável! O RAW permite um trabalho mais minucioso de edição e ampliação, sem perda de qualidade da imagem

Agora vamos saber como são criadas as imagens com esses tipos de configurações no instante da foto.

JPEG
No momento da foto, a câmera processa os dados da imagem com base nas configurações pré-selecionadas e cria o arquivo na memória interna com essas configurações. Em seguida, transfere para o cartão de memória. Essas configurações são baseadas em brilho, contraste, nitidez, balanço de brancos e redução de ruído. Resumindo: se você configurou corretamente a sua câmera, esse é um arquivo final a ser utilizado sem uma pós-produção, sem edição, pois o mesmo já estará com bons contraste, brilho, nitidez, etc. Como já existe um tratamento e certa perda de informações, essas informações perdidas não podem ser recuperadas e como o Dynamic Range do JPEG é  menor que o do RAW, você acaba tendo um limite na edição.

RAW
O mesmo não acontece com o RAW no momento da foto, em que as configurações são salvas em um arquivo com os mesmos ajustes do JPEG (como informado anteriormente), mas este é utilizado apenas pela câmera, para que você possa vê-la através do LCD. E quando você transfere para o computador essas configurações (brilho, contraste, nitidez, balanço de brancos e redução de ruído) são zeradas e às vezes trocadas por outras do programa que você esta usando para migrar/copiar/editar e visualizar as fotos (no meu caso Lightroom). Por isso que quando você transfere é possível visualizar por alguns segundos a foto com as configurações da câmera e logo em seguida sua foto é atualizada pelas configurações do programa utilizado, dando a sensação de que o programa “danificou” a imagem e sumiu com as cores, brilhos, contrastes, etc. Nada que um uso com moderação das ferramentas de edição não resolva (se realmente for necessário algum tipo de alteração, geralmente se limitando a brilho e sombras).

Perceba como a foto abaixo é sem vida, com baixo contraste, brilho, nitidez, balanço de brancos, etc. Nesse caso, a foto está visualmente menos agradável, pois suas configurações foram zeradas, ficando sem as configurações automáticas aplicadas pelo Lightroom. Cabe então ao fotógrafo melhorá-las com as ferramentas do programa. Ou não.

Foto em RAW com todas as configurações zeradas

Agora vejam a diferença quando regulamos as configurações da imagem, utilizando as ferramentas disponíveis pelo programa de edição de imagens. Manipulação moderada, apenas realçando o necessário para dar mais “vida” à foto.

Arquivo processado utilizando as ferramentas disponíveis no software de edição de imagens, interferindo o mínimo possível na imagem original 

Continua no próximo artigo. Até lá!!!

Postado por Dimas Marques às 00:00

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