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Sexta-Feira, 16 DE Fevereiro DE 2018

Photo Animal: RAW X JPEG - O que são e qual usar? Parte II

Mais dicas para ajudá-lo na escolha do formato

Por Marcelo Calazans
Técnico em agropecuária, administrador de empresas e fotógrafo. Foi professor da disciplina Fotografia de Natureza pelo Senac-MS
photoanimal@faunanews.com.br

Olá, tudo bem? Dando continuidade ao artigo passado, falarei hoje sobre Cores/tons e Dynamic Range: o que são e para que servem.

Cores/tons
O formato JPEG, que tem 8 bits, pode conter até 256 tons RGB (red-green-blue ou vermelho, verde e azul) totalizando 16 milhões de cores. Já as imagens capturadas em RAW possuem 12 bits e contêm uma maior quantidade de tons, com “apenas” 4.096 tons RGB, totalizando o equivalente a 68 bilhões de cores. Isso já é bem superior ao JPEG. Mas caso ainda não tenha ficado satisfeito, já aviso que algumas câmeras recentes do mercado já trabalham com 14 bits de informação (farei um artigo sobre isso em breve), nos dando aproximadamente 4,3 trilhões de cores possíveis! Tudo isso resulta em imagens com muito mais nitidez e fidelidade, garantindo que seu trabalho tenha a qualidade que você quer.

Dynamic Range
Latitude de exposição, também chamada de alcance dinâmico, na tradução literal da expressão em inglês dynamic range, é a relação entre o maior e o menor valor possível de algo que se esteja contabilizando. Normalmente é usada para medir a variação de som (em decibéis) ou, o que mais nos interessa aqui, de luz (em bits ou f-stops). Quando falarmos a latitude de exposição daqui para frente, portanto, estaremos nos referindo à sua aplicação na fotografia digital.

Dizem que a visão humana é capaz de diferenciar luminosidades em uma faixa de até 24 f-stops. Só que isto é levando em conta a fantástica capacidade de adaptação dos nossos olhos, cujas pupilas se dilatam para captar mais luz ou se contraem em ambientes muito iluminados. Em outras palavras, somos capazes de ver luzes muito fracas em um quarto escuro, mas não se tivermos acabado de chegar da praia em um dia ensolarado.

Descontando o ajuste da pupila, seríamos capazes de identificar, em uma mesma cena, algo entre 10 e 14 f-stops. Ainda assim é impressionante se considerarmos que uma câmera digital típica captura uma variação de 5 stops – equivalente à dos filmes de slides. Já as reflex full-frame podem chegar a 13 f-stops no ajuste de ISO mais baixo, igualando ou mesmo superando o desempenho dos filmes negativos.

Faixa de captação de luminosidade do olho humano comparado com as DSLR´s modernas

E a minha câmera?
Para saber a latitude de exposição da sua câmera, você tanto pode fazer uma busca na internet para ver se alguém já fez o teste quanto descobrir por conta própria.

Se a sua câmera tiver ajuste manual de velocidade e abertura e você não fizer questão de resultados cientificamente precisos, pode dar uma improvisada. No modo manual, trave a velocidade e ajuste a abertura para o menor f-stop (a maior abertura) que produzir uma imagem totalmente preta (pode ser preciso conferir a foto no computador para ter certeza disso).

A partir daí, sempre apontando para a mesma imagem, vá diminuindo o f-stop gradualmente até a imagem ficar totalmente branca. O número de stops entre uma e outra deve ser a sua latitude de exposição, lembrando apenas que ela varia de acordo com o ajuste de ISO (a sensibilidade do sensor) e que estamos falando de “full” f-stops (f/1,4, f/2, f/2,8, f/4, f/5,6, f/8, f/11, f/22 e assim por diante). Então, nada de contar os stops intermediários.

Ter uma Dynamic Range (Faixa Dinâmica) maior traz a possibilidade de trabalhar melhor com partes subexpostas e superexpostas no pós-processamento ou até mesmo quando você trabalha com uma imagem que tem os dois extremos.

s imagens acima, retiradas da internet, demonstram bem o processo de trabalho do Dynamic Range, em que na primeira imagem vemos ela subexposta, na segunda com superexposição e na terceira, já com os ajustes corretos na escala de luminosidade, a imagem final

Subexposição
Achei um teste bacana que exemplifica bem o assunto. Dá uma olhada nas fotos e entenda.

O cidadão fez um teste de extrema subexposição, com o arquivo RAW e JPEG criados ao mesmo tempo e com a mesma configuração. E ambos os arquivos foram recuperados com a mesma configuração de edição. A diferença é gritante!

Arquivos JPEG e RAW criados juntos pela opção RAW+JPEG L da Nikon D200, portanto com a mesma configuração  

Como podemos notar na comparação acima, o arquivo RAW demonstra ter uma maior tolerância com imagens subexpostas, possibilitando o acréscimo aproximado de 2 a 4 pontos de luz – lembrando que, quanto menor o ISO utilizado na captação da imagem, maior a possibilidade de recuperação da mesma. Mas quando olhamos para o teste com a imagem em JPEG, percebemos que não foi possível uma recuperação ideal, a deixando extremamente danificada a ponto de só servir para descarte.

Superexposição
Assim como na subexposição, o arquivo no formato RAW também tem uma tolerância maior ao trabalharmos com superexposição. Na imagem abaixo, podemos ver que o RAW em algumas partes aparenta ser mais escuro que o JPEG.

Arquivos JPEG e RAW criados juntos pela opção RAW+JPEG L da Nikon D200, portanto com a mesma configuração

Ambas as imagens acima estão com o mesmo pós-processamento. O RAW está mais escuro pelo motivo que deixei ambos com a mesma configuração. Abaixo podemos ver o arquivo RAW devidamente pós-processado.

Arquivo RAW  pós-processado para recuperação da superexposição

Na terceira parte da série “RAW X JPEG – O que são e qual usar?” vamos ver as diferenças entre o comportamento do RAW e JPEG diante de ruídos elevados na imagem.

Um abraço a todos e até lá!

Postado por Dimas Marques às 00:00

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