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Sexta-Feira, 08 DE Junho DE 2018

Fauna e Estradas - Todo animal atropelado morre?

Por Fernanda Zimmermann Teixeira 
Bióloga, mestre e doutora em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante do Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF) da UFRGS
estradas@faunanews.com.br 

Veado ficou entalado no para-choque do veículoNo último domingo (3 de junho), um veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) foi atropelado na Rota do Sol, estrada que liga a serra ao litoral no Rio Grande do Sul. Infelizmente, é um acidente que ocorre com certa frequência. Afinal, muitos são os atropelamentos de animais silvestres nas rodovias, entre elas a Rota do Sol, uma estrada que passa por três unidades de conservação.

Porém, dessa vez aconteceu algo inusitado. O motorista não enxergou mais o animal após a colisão e seguiu em frente. Somente 20 quilômetros depois, ao parar, ele descobriu que o animal estava preso dentro do para-choque do carro. 

E, para sua surpresa, ao retirarem o animal, descobriram que ele estava vivo! O veado, machucado, foi encaminhado ao Zoo de Gramado, onde está sendo tratado pelos veterinários da instituição.

Animal está em tratamento no zoológico de Gramado

Por mais surreal que possa parecer, há outros casos parecidos. Em 2015, o Daily Mail noticiou o caso de uma motorista que atropelou um coala no sul da Austrália e ao chegar em casa, 10 quilômetros adiante, descobriu que o animal estava preso no para-choque, e vivo!

Coala ficou preso ao veículo por cerca de 10 quilômetros

Uma outra história impressionante é de um ônibus que atropelou um veado na Pensilvânia. O animal quebrou o vidro e foi parar, muito assustado, dentro do ônibus. Esse caso mostra como também há um risco para os motoristas, que podem se machucar seriamente nesses acidentes.

O fato de alguns animais ficarem vivos depois da colisão com um veículo não significa que está tudo resolvido. Em muitos casos, os animais nunca mais voltam para a natureza em função das lesões que sofrem e acabam vivendo o resto de suas vidas em cativeiro. Isso é indesejável tanto para o animal, que não tem as mesmas condições do que em vida livre, quanto para a população de onde ele saiu, que perdeu um indivíduo. 

Puma perdeu uma das pernasFoi o que aconteceu com o puma (Puma concolor) atropelado no entorno do Parque Nacional dos Aparados da Serra em 2014. O animal sobreviveu ao atropelamento e foi encontrado vivo, e muito ferido, na beira da estrada. Em função disso, ele teve sua perna amputada e nunca poderá voltar à natureza.

Esses casos emblemáticos nos lembram que precisamos, urgentemente, diminuir o risco de atropelamento de fauna nas estradas. Medidas de mitigação estão sendo implementadas por todo o mundo e já há estudos que mostram que elas funcionam. 

Quer saber mais sobre essas medidas? Releia nossos artigos:

- Bota cerca que tá resolvido! - 26 de novembro de 2015
- Trilhos permeáveis... - 17 de março de 2016
Desvio a 50 metros - 9 de junho de 2016
- Medidas de mitigação funcionam? - 30 de junho de 2016
- De galho em galho, o macaco chega na estrada - 1º de setembro de 2016
- Morcegos me mordam! O que é isso? - 8 de setembro de 2016
- Criatividade quase ilimitada, efetividade quase desconhecida - 5 de janeiro de 2017

E aqui você encontra informações técnicas sobre medidas mitigadoras: http://www.conecte.bio.br/med_opc.html .

Postado por Dimas Marques às 10:00

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