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Sexta-Feira, 20 DE Julho DE 2018

Photo Animal - Seja bem-vindo à Serra do Amolar (parte II)

Por Marcelo Calazans
Técnico em agropecuária, administrador de empresas e fotógrafo. Foi professor da disciplina Fotografia de Natureza pelo Senac-MS
photoanimal@faunanews.com.br

Um bom dia pantaneiro, meus amigos!

Vamos ao segundo artigo da série de quatro sobre o bioma Pantanal.

Como mencionei no artigo anterior, o Pantanal é realmente um mistério. Abordarei um pouco sobre as características da região de Corumbá e da Serra do Amolar neste e nos próximos textos da série.
 
Com suas baías inundadas por todos os lados, seus labirintos de vegetação flutuante nos rios e corixos e sem nenhuma referência física na navegação dos pequenos barcos, o profissional piloteiro é figura imprescindível para quem pretende visitar a região. Eles conhecem a região como a palma da mão, sabem de todos os desvios e atalhos onde existem os atrativos que o turista procura.

Vista da entrada da Baía Gaíva, uma das maiores do pantanal sul, e ao fundo, o complexo da Serra do Amolar

Além disso, são aliados na conservação do meio ambiente, visto que muitos que hoje exercem essa profissão foram catadores de isca ou caçadores na região e se converteram à proteção da natureza. Isso graças ao ecoturismo, que fomenta o comércio local, proporciona novos caminhos para as comunidades tradicionais e tira um pouco o foco da atividade da pesca esportiva, que ainda é o que movimenta a economia da região e sobrecarrega demasiadamente a ictiofauna do lugar.  E nada melhor para o ecoturismo do que contar com quem conhece a região de olhos fechados, sabendo onde estão os animais, as aves e outros atrativos turísticos que milhares de pessoas procuram todos os anos, seja cheia ou seja seca.

Uma das funções dos piloteiros é encontrar os atalhos entre os rios e as baías, garantindo que o turista contemple e registre as paisagens e fauna locais

Toda essa riqueza de fauna, tanto de aves quanto de outros animais, a beleza das paisagens, a luz, as texturas e as cores proporcionam registros dos mais diferentes tipos. Desde bando de caturritas se alimentando no chão, a urubus se fartando da fatalidade que atingiu um jacaré, até o por do sol - que é um espetáculo à parte. 

A beleza do céu noturno, sem a poluição e a distorção causadas pela iluminação das cidades, é outro atrativo incrível. É possível ver o arco completo da Via Láctea pairando sobre as formações rochosas da região, em uma composição que expressa com clareza e grandeza o capricho de Deus quando criou esse lugar. A amplidão do céu e a quantidade de estrelas que pode ser observada a olho nu em noites sem lua nos deixam completamente sem fôlego. Palco perfeito para quem quer ensinar astrofotografia! E para quem quer aprender também, claro!

Por do Sol na formação rochosa conhecida como ?A serra da mulher deitada?, a 180 km de Corumbá, subindo o rio Paraguai. Na outra foto, o arco da Via Láctea em foto de longa exposição

Estou sendo muito poético? Não, nenhum pouco. Estou sendo realista, ainda mais que agora eu moro aqui! Então a cada dia que passa, tenho uma nova surpresa, uma nova fotografia capturada, um novo suspiro e brilho no olhar a cada amanhecer nesse lugar mágico. Só quem conhece e mora por aqui entende o que eu falo. E tento passar um pouco dessa experiência com meus artigos.

Mas, continuando...

O que eu vim fazer aqui? Então, através de um amigo biólogo, recebi o convite de fazer parte da equipe de trabalho de levantamento de fauna em uma área que será destinada ao ecoturismo na região da Serra do Amolar. Tá, mas o que é um “levantamento de fauna”? Resumidamente é um trabalho onde uma equipe composta por profissionais das diversas áreas da biologia (herpetologia, ictiologia, ornitologia, entre outras) conta e cataloga as espécies animais e de aves em uma determinada área. Esse levantamento é um dos requisitos para se conseguir o licenciamento ambiental, para efeitos de exploração comercial da localidade - no caso, para que nessa área possam ser desenvolvidas diversas atividades voltadas ao ecoturismo, como trilhas ecológicas, passeios, mergulho, birdwatching, entre outras. E todo esse trabalho tem que ser desenvolvido com um mínimo impacto ao meio ambiente. E essa foi só a primeira etapa!

Mas, como eu disse, eu vim morar aqui, porém isso é assunto lá prá frente... hehehehe...

Maçarico-real, uma das espécies presentes no pantanal

Nos próximos artigos, quero falar um pouco sobre a fotografia de aves em vôo, a questão do uso ou não do flash e como essas técnicas podem ser utilizadas na região do Pantanal. Me despeço deixando uma galeria de fotos que captei na região da Serra do Amolar.

Abraço e até o próximo artigo.

- Releia o artigo "Seja bem-vindo à Serra do Amolar", publicado em 15 de junho de 2018 pelo Fauna News

Postado por Dimas Marques às 00:00

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