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Quarta-Feira, 05 DE Setembro DE 2018

Quando a imprensa, por ignorância, incentiva o tráfico de fauna

Por Dimas Marques
Jornalista, pesquisador do Diversitas-USP e editor responsável do Fauna News
dimasmarques@faunanews.com.br

Se perguntarmos para qualquer jornalista se ele é contra o tráfico de animais silvestres, com certeza teremos uma resposta afirmativa. E não é de hoje que a imprensa faz matérias denunciando o mercado negro de silvestres em feiras das periferias das cidades e a criação doméstica de espécimes traficados, acompanhando equipes de fiscalização e depois mostrando um pouco da dificuldade de se devolver essas vítimas para a natureza – quando possível.

Mas, apesar desse posicionamento positivo perante o problema, a imprensa ainda carece de informações sobre o universo do tráfico de fauna. Pouco se veicula sobre os gastos do poder público no combate aos traficantes, nas dificuldades do Estado em manter centros de triagem e recuperação (Cetas e Cras), a difícil jornada de um animal até  retorno à vida livre, a transmissão de zoonoses (doenças) para a população, o uso do dinheiro público no atendimento dos doentes, etc.

Além disso tudo, os jornalistas não sabem que o comércio LEGALIZADO de fauna silvestre contribui para a cultura do criar animal silvestre como bicho de estimação, que os animais das espécies mais comercializadas legalmente também são os mais traficados e que muitos dos criadouros legalizados recebem bichos traficados e os “esquentam” dando aparência de terem nascidos em cativeiro. Ou seja, a criação e o comércio de silvestres para mascotes incentiva o mercado negro de fauna no Brasil.

Os jornalistas ainda trabalham com a falsa premissa de que se houver animais legalizados sendo vendidos, a população não mais procurará o traficante nas feiras de rua ou na internet. Esse é um erro grave.

O que mantém o tráfico vivo é a cultura do silvestre-pet. As pessoas, ao considerarem que animal silvestre pode ser bicho de estimação, passam a procurar onde podem adquiri-lo: para quem tem dinheiro, em um pet shop ou criadouro, mas para a maioria dos brasileiros que querem esse tipo de mascote é no mercado ilegal.

Matéria do site do jornal DesakE o jornal Destak, em sua edição de ontem (4 de setembro de 2018), manteve o equívoco e incentivou seus leitores a manterem a cultura do silvestre-pet, bem como de espécies exóticas (não brasileiras) e as já consideradas domésticas.

“Na hora de escolher um pet, muita gente acaba achando que as aves são mais práticas, não dão muito trabalho e encantam a casa e a família. Mas há muitas diferenças entre os pássaros e é importante saber qual combinará melhor com a sua expectativa e disponibilidade.

É importante considerar que qualquer pet precisa de atenção e cuidados. Os pássaros precisam de constante estímulo e brincadeiras para que sua vidinha na gaiola não seja tediosa.

Outro aspecto fundamental é respeitar a legislação e adquirir apenas espécies legalizadas (algumas precisam de permissão do Ibama, como é o caso dos papagaios e araras) e compradas de criadouros confiáveis – evitando contribuir para o criminoso tráfico ilegal de animais silvestres. 

CANÁRIO
O canarinho é pequeno, com cerca de 12 cm, e famoso pelo seu canto, que é belo, afinado e pode durar horas.

Se adapta bem a diferentes ambientes, de aviários a gaiolas e também às temperaturas. Embora não precise de muitas brincadeiras, gosta de ficar perto dos humanos e canta para eles. Vive entre 5 (fêmeas) e 10 anos (machos).

PERIQUITO

Outro pássaro pequeno que tolera bem a gaiola. É muito sociável: gosta de companhia e brincadeiras, dando pequenas bicadinhas na mão para demonstrar afeto, sendo boa opção para as crianças.

Pode ser encontrado em várias cores e gosta de imitar os sons da casa, inclusive a fala humana.

CALOPSITA
A calopsita tem cerca de 30 cm e se destaca pela inteligência e docilidade. Pode até viver na gaiola se for acostumada desde pequena, mas é mais feliz quando pode circular livremente pela casa, interagindo com a família. Para isso, por questões de segurança, convém levar num veterinário para cortar a parte interna de uma das asas. É fiel a quem cuida, calma, raramente bica e convive bem com crianças. Pode cantar, assobiar e até falar, porque é muito boa em imitar sons. Costuma viver entre 12 e 14 anos.   

CACATUA
Existem cerca de 20 espécies dessa bela ave, sendo a branca e de crista amarela as mais populares. Inteligente, pode ser adestrada, aprendendo a falar – e alto, tornando-se um pouco barulhenta quando quer atenção. É brincalhona, e costuma ser dócil mas pode se irritar.

Uma cacatua pode viver até 80 anos, por isso é importante que a família esteja certa e comprometida ao adquirir uma.

PAPAGAIO
É considerada a ave mais inteligente que existe, capaz de imitar a fala humana, cantar e dançar. Brincalhona, não para muito quieta, subindo em puleiros, nas grades e conversando, por isso necessita de atenção várias horas por dia.

Pode viver em gaiolas espaçosas, viveiros ou livres, desde que haja o corte das asas feito por um veterinário. É parte da família, podendo viver até 80 anos. 

AGAPORNIS
Ativas e barulhentas, essas lindas aves originárias da África são conhecidas como "pássaros do amor" ou "periquito namorado" pois são comuns as demonstrações de afeto, tanto para com os da mesma espécie quanto com os humanos.

São adaptáveis e fáceis de cuidar, mas caso seja criada em cativeiro nunca deve estar sozinha: um companheiro é vital para sua sobrevivência. É leal a esse companheiro por toda vida e também aos humanos que cuidam dele. Costuma viver 12 anos, mas pode chegar a 17.”
– texto da matéria “Qual o pássaro certo para você”

- Leia a matéria no site do Destak

Postado por Dimas Marques às 00:00

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