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Quinta-Feira, 08 DE Novembro DE 2018

Fauna e Estradas - Animal é tudo igual! Será mesmo?

Tartaruga escondida em seu casco na BR-101

Por Talita Menger Ribeiro
Bióloga pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde é mestranda junto ao Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF)
estradas@faunanews.com.br

Durante alguma viagem por estrada, você já deve ter percebido que alguns animais são mais frequentemente atropelados. E talvez já tenha se perguntado por que é mais fácil ver determinadas espécies nas rodovias do que outras. Claro, na natureza alguns animais são mais comuns e outros mais raros, então, os mais comuns têm mais chances de serem avistados. Além disso, nem todas as espécies respondem da mesma maneira às rodovias, apresentando comportamentos diferentes quando se deparam com o tráfego de veículos dessas infraestruturas. 

Acredita-se que os animais respondam aos veículos como respondem a outros tipos de risco de morte, como um predador. Assim, cada espécie reage de uma maneira ao avistar um grande objeto (ou vários) se aproximando em velocidade. Um estudo de 2016 propôs que os animais apresentam quatro respostas comportamentais em relação ao tráfego. Ao se depararem com veículos trafegando, alguns animais passam a evitar as rodovias, outros aceleram para atravessá-las, há os que apresentam comportamento de pausa quando percebem a aproximação do carro e, por fim, os que simplesmente não percebem a rodovia como um risco, atravessando independentemente do volume de tráfego. 

Mas, como assim?

Estudos mostraram que alguns animais evitam as proximidades das rodovias e acabam tendo menores taxas de mortalidade (e sendo menos vistos por nós). Isso não significa que não estejam sendo afetados, pois podem estar sujeitos a outros impactos, como o efeito barreira

Algumas espécies têm a característica de fugir rapidamente ao avistarem o perigo. Essas conseguem reagir aos veículos e evitar uma parte das colisões, escapando em velocidade. 

Outras espécies, que têm maior risco de morte, são aquelas que pausam durante a travessia; como o comportamento de defesa das tartarugas que se escondem dentro do casco e ficam imóveis, tornando-se vulneráveis ao atropelamento. Além disso, sabe-se que muitos invertebrados, anfíbios, serpentes e até algumas corujas não reconhecem o veículo que se aproxima como uma ameaça ou não são capazes de detectá-lo em tempo de reagir, Animais dessa categoria são vítimas comuns de atropelamento. 

Além de ajudar a explicar porque algumas espécies são mais avistadas atropeladas quando estamos viajando por aí, o comportamento diferenciado entre esses animais também ajuda a entender porque devemos estar sempre atentos ao dirigir nas rodovias. Nem todos os animais vão reagir da mesma maneira ao avistar nosso veículo. Enquanto uns podem correr, outros podem parar na sua frente ou simplesmente continuar caminhando como se você não estivesse ali.

Mais estudos, que avaliem o comportamento das espécies nas rodovias, podem também auxiliar na escolha de medidas mitigadoras que se adequem ao comportamento da fauna afetada. Por exemplo, se os atropelamentos em uma rodovia se dão principalmente devido ao comportamento de não responder ao tráfego, medidas como passagens de fauna e cercas seriam as mais adequadas. Já para animais que apresentam comportamento de fuga rápida, limites de velocidade da via, coerentes com a capacidade de fuga dos animais, seriam importantes. Dessa maneira, as medidas mitigadoras podem ser mais efetivas na redução da mortalidade da fauna nessas infraestruturas viárias.

Postado por Dimas Marques às 00:00

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