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Quinta-Feira, 20 DE Dezembro DE 2018

Fauna e Estradas - Diferentes métodos para detectar carcaças em rodovias

Vários são os métodos para detectar carcaças, mas nenhum é infalível

Por Gabriela Schuck de Oliveira
Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestranda junto ao Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF) da mesma instituição
estradas@faunanews.com.br

Já falamos aqui como os erros de detecção do observador podem subestimar o número de fatalidades de animais em uma rodovia e como é importante considerar a correção desses valores para uma estimativa mais próxima da realidade. Vários elementos podem influenciar na detecção de uma carcaça, como fatores climáticos (chuva, neblina, posição solar), condições da pista (tipo de pavimentação, presença de galhos e folhas), velocidade da observação, etc.

O método mais ‘’tradicional’’ de contar animais atropelados é através da visualização da carcaça por um observador, seja a pé ou de carro. Entretanto, isso nem sempre é uma tarefa fácil e, às vezes, pode ser muito perigosa em virtude de o trabalho ser realizado caminhando ao longo da via ou em baixas velocidades com paradas constantes - mesmo com sinalizações adequada, pode ser alto o risco de acidentes. Nesse artigo irei apresentar outros métodos para a realização dessa contagem.

Robótica: já apresentamos aqui uma tecnologia que rastreia travessias de animais, possibilitando emitir um alerta antecipado para o motorista afim de evitar a colisão. Porém, também há uma tecnologia que rastreia carcaças na pista através de algoritmos, funcionando inclusive para carcaças pequenas, como os anfíbios, que são frequentemente negligenciados por sua baixa detecção.

Cães farejadores: os cães possuem taxas de detecção de carcaças quatro a doze vezes maiores em comparação com os humanos, graças ao seu faro extremamente desenvolvido, que possibilita encontrar carcaças de tamanho reduzido. São comumente utilizados em monitoramento de carcaças em parques eólicos, porém o uso desses animais para esse fim tem um custo alto de manutenção.

Gravações: alguns locais são de difícil acesso para a realização de monitoramento por pessoas, o que faz com que a logística acabe sendo complexa. Por isso, algumas ferrovias realizam monitoramentos por câmeras acopladas ao trem não apenas para registrar a colisão, mas também para verificar o comportamento do animal em relação ao veículo.

Imagens de satélite: as imagens do Google Earth estão disponíveis gratuitamente em diferentes escalas de tempo e, através delas, é possível visualizar animais de médio e grande portes atropelados em rodovias. Apesar de ser um método que também negligência as carcaças pequenas, pode ser uma boa maneira de trabalhar sem precisar sair de casa...

Enfim, nenhum desses métodos garante uma detecção de 100% das carcaças. Todos devem ser submetidos a testes para avaliar a eficiência do observador para corrigir erros e melhorar o número estimado de fatalidades. Porém, é sempre bom conhecer métodos alternativos de monitoramentos e avaliar qual se enquadra melhor para cada contexto e para cada desenho amostral escolhido.

Postado por Dimas Marques às 04:00

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