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Quinta-Feira, 03 DE Janeiro DE 2019

Fauna e Estradas - Atropelamentos intencionais: nada divertido!

Por Talita Menger Ribeiro
Bióloga pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde é mestranda junto ao Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF)
estradas@faunanews.com.br

Se você acompanha nossa coluna há algum tempo, não deve ter esquecido do artigo Olha a cobra! É mentira!, de 23 de junho de 2016. Para quem é mais novo aqui, o texto abordou os atropelamentos intencionais de animais nas rodovias. 

Sim, isso acontece! Alguns motoristas escolhem passar com o carro em cima dos animais. E geralmente, quem leva a pior são os animais menos carismáticos, como aranhas e serpentes. Além de isso ser um problema ético, afinal todos os seres vivos têm seu valor intrínseco, existem consequências legais para quem pratica esse ato. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998) proíbe matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, bem como praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais. Isso significa que o atropelamento intencional pode ser enquadrado como crime contra a fauna.

Mas será que só aranhas, serpentes, tartarugas e sapos são alvos de motoristas?

Alguns registros de animais de outras espécies atropelados sugerem que esse comportamento dos motoristas possa se estender para outros grupos. Um estudo que estamos desenvolvendo nas estradas do Rio Grande do Sul tem registrado um grande número de lagartos da espécie Salvator merianae mortos devido às colisões com veículos. O número alto de ocorrências e a posição das carcaças (veja as fotos abaixo) nos fizeram questionar se eles também não são atropelados de propósito, algo que queremos investigar.

Teiús atropelados na RS-389 e na BR-101, com a maior porção do corpo no acostamento e apenas a cabeça esmagada na pista de rolagem

Esse comportamento humano revela um hábito da nossa cultura de categorizar alguns animais como repulsivos, feios ou perigosos e o pensamento de que eles merecem ser mortos. Ou, ainda, alguns motoristas podem achar ‘divertido’ mirar em um animal vivo de dentro de um carro. 

Independentemente de ser carismático ou não, nenhum animal merece ser atropelado!

Postado por Dimas Marques às 23:00

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