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Quinta-Feira, 03 DE Janeiro DE 2019

Onça é atropelada e morre por falta de atendimento. Cetas, nem pensar...

Por Dimas Marques
Jornalista e editor responsável do Fauna News
dimasmarques@faunanews.com.br

Dois casos parecidos, mas com desfechos bem diferentes. Em ambos, onças-pardas são atropeladas em rodovias e encontradas por policiais. As coincidências param por aí, já que a existência de um centro de triagem de animais silvestres (Cetas) acessível pode ter determinado a sobrevivência de um dos felinos e a morto do outro.

O primeiro caso aconteceu em 1º de janeiro:

Esta onça morreu no Ceará sem ter recebido atendimento especializado“A onça resgatada na tarde desta terça-feira (1º) por agentes da Polícia Militar Ambiental na CE-060, entre os municípios de Barbalha e Jardim, morreu na manhã desta quarta-feira (2) por falta de atendimento veterinário. 

"Ela foi atropelada, estava consciente, mas com dores. A viatura tentou contato com veterinários, mas o único que atendeu informou que não tinha experiência com animais silvestres", informou o Tenente Paulo Yrtonny, do Batalhão da Polícia Militar Ambiental.

Ainda segundo o Tenente Paulo, a onça sofreu um atropelamento e a pancada na região toráxica foi muito grande. Além disso, o animal também apresentou fratura nas patas dianteiras. "É lamentável, mobilizamos ela, procuramos atendimento adequado, mas ela não resistiu", acrescentou o militar.”
– texto da matéria “Onça resgatada por policiais morre por falta de atendimento veterinário”, publicada em 2 de janeiro de 2019 pelo site do jornal cearense Diário do Nordeste

O segundo caso aconteceu no dia seguinte:

Esta onça foi levada para o Cetas de Brasília“Um filhote de onça-parda foi resgatado com vários ferimentos nesta quarta-feira (2) às margens da BR-251, em São Sebastião, no Distrito Federal. Ele foi levado pela Polícia Militar Ambiental para atendimento veterinário no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).

Segundo os militares, o animal foi atropelado na pista – próximo à ponte rio Bartolomeu – e estava com um ferimento mais grave na cabeça. A onça fêmea tem cerca de 1 ano de vida, mede 40 centímetros de altura e pesa 20 quilos.”
– texto da matéria “Filhote ferido de onça-parda é resgatado em rodovia no DF”, publicada em 2 de janeiro de 2019 pelo portal G1

Não é possível afirmar que a onça-parda que morreu no Ceará sobreviveria caso a equipe da PM Ambiental do Estado conseguisse atendimento veterinário para o animal. Mas é fato que a inexistência de uma rede de centros de triagem de animais silvestres (Cetas) contribui para a redução das possibilidades de sobrevivência de animais vítimas de atropelamentos, ferimentos decorrentes de caça, de problemas ligados ao tráfico de fauna e de inúmeras outras situações que exigem cuidados especializados e com urgência.
O animal atropelado no DF conseguiu chegar a um Cetas e está tendo uma chance.

Os Cetas são estruturas responsáveis pelo primeiro atendimento a animais silvestres que necessitam de socorro veterinário em casos de resgates, apreensões e entregas voluntárias pela população. Esses centros fornecem um suporte especializado e, quando a soltura rápida não é possível, dão outro destino ao bicho (soltura, centros de reabilitação, criadouros, mantenedouros de fauna ou zoológicos).

Mas o Brasil, país com uma das maiores biodiversidades do mundo, praticamente ignora essa necessidade. Há poucos Cetas e muitos não possuem boa infraestrutura.
No Ceará, por exemplo, onde a onça morreu por falta de atendimento, existe apenas um Cetas, que funciona em Fortaleza e é administrado pelo Ibama. Crato, na região onde aconteceu o atropelamento, dista 507 quilômetros da capital do Estado. Ou seja, caso os policiais quisessem levar o animal até o Cetas, seria necessária uma viagem de mais de sete horas. Impraticável.

Perdemos animais por falta de interesse do poder público em investir na gestão da fauna silvestre. E porque a população não cobra dos governantes outra postura perante essa questão.

- Leia a matéria completa do Diário do Nordeste
- Leia a matéria completa do G1

Postado por Dimas Marques às 10:00

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