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Quinta-Feira, 11 DE Julho DE 2019

FAUNA E ESTRADAS - Estradas que cantam

Ainda não há estudos para saber se as rodovias com tecnologia musical causam impactos negativos na fauna ou se ajudam a evitar atropelamentos

Por Bibiana Terra
Graduada Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente é mestranda junto ao Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias (NERF) da mesma universidade
estradas@faunanews.com.br

Na maioria das vezes, pensamos nas passagens de fauna com cercas direcionadoras como a forma que temos para evitar a mortalidade de animais nas estradas. De fato, esta é uma das opções de mitigação, mas não é a única (inclusive já falamos de outras opções em artigos de 7 de fevereiro de 2019 e de 30 de maio de 2019). Poderíamos tentar evitar as colisões entre carros e animais com a modificação do nosso comportamento ao volante e não esperando que o animal modifique o dele, como, por exemplo, fugindo quando avistar um veículo. Reduzir a velocidade de veículo é uma opção para evitar essas colisões, já que, muitas vezes, a velocidade praticada é maior do que a recomendada para as estradas. 

Ranhuras no asfalto que permitem que se ouça uma músicaUma alternativa muito peculiar inventada por dois artistas na Dinamarca em 1995, que resulta na diminuição de velocidade, é uma estrada que canta (Asphaltophone, em inglês). Em alguns trechos curtos, o asfalto possui ranhuras que emitem vibrações sonoras em forma de música decorrentes do atritos dos pneus quando passam por cima delas. O mais interessante disso é que, se o carro estiver na velocidade correta da via, a emissão do som vai lembrar uma melodia, caso contrário vai incomodar os ouvidos do motorista estimulando-o a dirigir na velocidade certa. Essas estradas são bastante conhecidas no Japão – existem uns 40 trechos cantantes que são procurados como atrações turísticas.

Pode ser que esse tipo de emissão sonora da estrada faça com que o animal perceba a presença do veículo e fuja, Para ouvir a música é necessário seguir a velocidade indicadaevitando o atropelamento, ou que os deixe ainda mais assustados e sem reação, aumentando as colisões. Além disso, como é mais um atributo de poluição sonora, pode afetar negativamente alguns animais como aves e anfíbios que se comunicam através da vocalização.

Ainda não existe nenhum estudo avaliando se essa medida é efetiva em evitar atropelamentos de fauna nas estradas ou se causa impactos sonoros negativos nas populações animais. Porém, caso comprovada a efetividade, essa pode ser uma medida mitigadora economicamente interessante, visto que pode ser um atrativo turístico, com baixo custo de implementação e com grande potencial de fazer com que os motoristas respeitem os limites de velocidade – principalmente para trechos com alto número de atropelamentos.

Postado por Dimas Marques às 11:00

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