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Quarta-Feira, 18 DE Setembro DE 2019

UNIVERSO CETAS - Resultados do II encontro nacional de Cetas, Cras e áreas de solturas

Representantes de 28 instituições de 11 Estados participaram

Por Yuri Marinho Valença
Biólogo, mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É coordenador do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) Tangará da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), em Recife, e coordenador técnico do projeto de reabilitação, soltura e monitoramento de papagaios-verdadeiros intitulado de "Projeto Papagaio da Caatinga"
universocetas@faunanews.com.br

Em 3 de setembro de 2019, foi iniciada a segunda edição do Encontro Técnico Nacional de Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (ENACS). O encontro serviu para discussões de temas técnicos relativos a áreas de trabalho dos profissionais de centro de triagem de animais silvestres, centros de reabilitação de animais silvestres, áreas de solturas e ONGs que trabalham com animais silvestres.

Foi possível contar com a presença de 28 instituições de 11 Estados que trabalham com resgate, reabilitação, soltura e monitoramento de animais silvestres no âmbito da conservação.

No evento foram discutidos quatro grandes temas do cotidiano dos Cetas: conservação das espécies; soltura, monitoramento e destinação de animais silvestres; tráfico de fauna e manejo sanitário. Cada tema teve a contribuição de especialistas, que aprofundaram e ajudaram nas discussões.

Uma visita técnica às instalações do Cetas Tangará, do governo de Pernambuco, foi realizadaNo tema “conservação das espécies”, destaco três das diversas pautas discutidas: foi solicitada uma melhor troca de informações entre os órgãos de conservação para priorizar a ida de animais ameaçados de extinção para centros especializados e que compõe os planos de cativeiro das espécies, foram estabelecidos critérios para evitar solturas em áreas de influência de espécies muito ameaçadas e para levantar as espécies mais traficadas no Brasil com o objetivo de usar artifícios para aumentar o cerco aos traficantes e, por fim, priorizar formas diferentes de punição ao tráfico dessas espécies.

Com o tema de “soltura, monitoramento e destinação de animais silvestres” foi possível trabalhar subtemas como a destinação de híbridos e mutilados, as parcerias com universidades e o compartilhamento entre as entidades de protocolos de reabilitação, soltura e monitoramento já definidos e comprovados para que os modelos sejam replicados.

 Tráfico de fauna silvestre
Durante as discussões, os participantes acharam necessário traçar um perfil nacional do tráfico para tentar descobrir de onde os animais estão sendo mais retirados e para onde encaminhá-los, já que cada vez mais estão sendo estabelecidos modelos de solturas direcionados ao retorno do habitat de origem dos espécimes. A intenção é estabelecer uma rede de comunicação em que será possível informar de onde estão chegando animais e de onde estão sendo capturados. 

A troca de experiências e protocolos foi recomendada e será realizadaO tema “manejo sanitário” foi o que contou com as mais prolongadas discussões. O motivo foi a necessidade de adequações e reformulações de conceitos antigos e antiquados de manejo sanitário nos empreendimentos e as consequências na vida de todos os animais nos centros e em vida livre caso certos cuidados não sejam tomados, principalmente com o aparecimento de novas doenças.

Nesse bloco concluiu-se ser necessário estabelecer redes confiáveis de laboratórios de exames, destacar que os cuidados de manejos sanitários quando em cativeiro sejam os mesmos no ambiente de vida livre para garantir o sucesso da soltura sem introdução de patógenos nocivos ao meio ambiente e, por último, determinar quando se deve fechar um centro devido a contaminação geral do plantel por falta mínima do quarentenário necessário para a não dispersão de patógenos no animais em cativeiro.

Está sendo elaborado um documento em forma de anais a ser publicado em revista cientifica para que as normas discutidas possam ser divulgadas e enviadas a todos os centro e áreas de solturas com o fim de estabelecer protocolos de trabalho em todo Brasil.

Para o terceiro ENACS, foram iniciadas as tratativas para a realização novamente em São Paulo (como o primeiro). Desta vez a intenção é ser organizado pelo CRAS-PET (Centro de Recuperação de Animais Silvestres do Parque Ecológico do Tiête do governo paulista). Agora em outubro já teremos novidades sobre dias e programação.

Postado por Dimas Marques às 11:00

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