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Sexta-Feira, 25 DE Outubro DE 2019

No Brasil, cobras ainda são estigmatizadas, apesar da diversidade de espécies

Novas espécies estão sendo descobertas. Destruição do habitat é grande ameaça para esses animais.

Daniella destaca a importância da descoberta da nova espécie para ampliar o conhecimento e propor medidas de conservação

Por Yasmim Nepomuceno
Especial para o Fauna News

As cobras são animais que despertam muito medo no imaginário popular e também personagens retratados como cruéis em filmes e outras produções. Contudo, a herpetologia, ramo da zoologia que se dedica ao estudo dos répteis e anfíbios, continua a ampliar pesquisas e a divulgação científica para reduzir a aversão às serpentes.

Segundo levantamento publicado em 2018 na revista Herpetologia Brasileira, o Brasil é o terceiro país com maior número de répteis no mundo, onde já foram registradas 405 espécies de cobras. Entre 2016 e 2018, foram 17 novas espécies identificadas. A bióloga goiana Daniella França contribuiu para essa estatística ao descobrir, durante sua pesquisa de doutorado, uma nova espécie de serpente do cerrado. 

Cobras da nova espécie (Apostolepis adhara) descrita por DaniellaEm seu doutorado, Daniella realizou a revisão taxonômica do Gênero Apostolepis e analisou coleções em museus da América do Sul. No material do Centro de Estudos e Pesquisas Biológicas da PUC-Goiás, ela encontrou registros de uma cobra que estava identificada com nome da espécie de outra que não tinha as mesmas características. Depois de análises, a bióloga concluiu se tratar de uma espécie nova, que foi batizada como Apostolepis adhara em homenagem ao nome da estrela (Adhara) que representa o estado do Tocantins na bandeira brasileira. 

Durante a pesquisa, Daniella só encontrou registros de dois indivíduos Apostolepis adhara e destacou duas hipóteses para isso: a espécie pode estar em processo de extinção ou ser rara. “Ela vive no município de São Salvador (Tocantins), uma área condenada por exploração agropecuária e por uma hidrelétrica. Um dos riscos para a espécie é a destruição do habitat”, ressalta a bióloga. A hipótese para a existência dos dois exemplares por ela encontrados em centros de pesquisa é que eles foram coletados após tentar fugir do alagamento do reservatório da Usina Hidrelétrica São Salvador.

A descoberta da nova espécie foi publicada em revista científica no final do ano passado.

“Só conseguimos proteger aquilo que conhecemos. A importância de descobrir novas espécies é de estimar a riqueza e a biodiversidade para proteger a área onde essas espécies vivem. Quanto mais espécies têm em um local, mais ele é prioritário para a conservação”, enfatizou. Esse movimento de descoberta de novas espécies está associado ao aumento de novos cientistas e de expedições para lugares pouco antes explorados pela dificuldade de acesso.

Daniella salienta a importância dos investimentos em medidas para conservaçã das serpentes e desmistificar os medos. Os primeiros passos são a educação ambiental e a divulgação científica.  “Quando as pessoas começam a conhecer, percebem que não precisam ter medo. No máximo respeito e receio, mas não o medo que leva a pessoa a matar qualquer cobra que encontra. As cobras fazem parte da cadeia alimentar e do equilíbrio da natureza”, finaliza.

Postado por Dimas Marques às 23:00

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