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Quinta-Feira, 19 DE Março DE 2020

FAUNA E ESTRADAS - Atropelamentos de fauna: como cercar esse problema?

Por Rubem Dornas
Biólogo, especialista em Geoprocessamento e mestre em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais na Universidade Federal de Minas Gerais. Integra o Transportation Research and Environmental Modelling Lab (TREM-UFMG) e o Núcleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NERF-UFRGS)
estradas@faunanews.com.br

A redução e o evitamento de fatalidades de fauna em estradas são temas constantes da seção Fauna e Estradas aqui do Fauna News. De modo geral, percebo que as pessoas que de alguma forma se relacionam com o tema de Ecologia de Estradas pensam de cara em “passagens de fauna” como sendo o principal método de mitigação de atropelamentos. A questão é que esse é um vício de pensamento a ser evitado.

Para um evento de atropelamento ocorrer, é necessário ter veículos trafegando na estrada e ter animais na estrada. Uma vez que paralisar o fluxo de carros é tarefa praticamente impossível, o ponto a ser enfatizado é evitar que animais acessem a estrada. E implantar somente passagens reduz as chances de a fauna continuar a frequentar a rodovia? Pouco provável, na maioria dos casos.

O que é realmente necessário para a redução de atropelamentos é a implantação de barreiras físicas, tipo as cercas. Assim, as passagens de fauna são um elemento importante, que possibilita a travessia, sendo um dispositivo crucial na manutenção do movimento dos animais, mas, se o objetivo é reduzir atropelamentos, elas devem ser construídas sempre em associação com cercas.

Trecho com cercamento no Parque Nacional dos Aparados da Serra. Por baixo desse local existe uma passagem subterrânea para travessia de fauna

Embora pareça uma situação simples a de cercar determinado trecho onde existe agregação de fatalidades, essa tarefa deve ser cuidadosamente estudada dependendo de cada contexto, principalmente em relação à fauna que se quer evitar o acesso à pista. As cercas mais comuns, tipo alambrado, podem causar danos à fauna, tais como  aprisionamento e estresse, ou mesmo direcionar as fatalidades para o final dessas cercas. A condição se torna ainda mais complexa em determinadas regiões em que a população furta as cercas, muito úteis para uma gama de aplicações, especialmente em áreas rurais. Ou seja, sem cerca, sem proteção para atropelamentos da fauna.

Um desafio que cabe a nós, como pesquisadores e como sociedade, é pensar em alternativas de cercamento que possuam ou menor valor agregado ou maior dificuldade de se furtar, evitando que as cercas sejam danificadas ou retiradas do lugar para o qual foram planejadas. Por exemplo, o cercamento de ferrovias com estacas extraídas de segmentos de trilhos é uma opção interessante que vem sendo utilizada e que deveria ter a sua eficiência testada. Precisamos do bom jeitinho brasileiro para trazer novidades e ideias para proteger a nossa fauna.

Trilhos antigos são trocados e frequentemente amontoados ao lado da ferrovia. O empreendedor paga para descartar esse material, que poderia ser reutilizado

Postado por Dimas Marques às 16:00

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